PORTUGAL PROFUNDO, ou as expressões do dia-a-dia que deveriam ser elevadas a Património Mundial

"Se ele não faz, porque é que eu hei-de fazer?"
"Sou sempre eu a fazer tudo!"
"Não posso, está na minha hora."
"Não me pagam [o suficiente] para fazer isso."
"Deixa, não vale a pena."
"Para quê? Sou só um, não vai fazer diferença..."

Nota: Aceitam-se sugestões, até porque o "mundo" em que vivo é limitado. Por certo que conhecerão outras.

A política e a humanidade sob o espectro dos telhados de vidro

Já há algum tempo fiz por deixar de falar em política e mais especificamente nas suas personagens principais pelos motivos óbvios. São chatos! Ora sendo eu chato - e sabendo a sensação que isso provoca - não estaria a melhorar a situação falando de um bando deles. Até porque isto não é como a matemática, o negativo com o negativo não dá, nem à lei da bala, algo positivo.

Mas de tanto se cascar nos gajos, há que não ser faccioso e também ver o mundo deles projectando o nosso. E que melhor do que traçar esse paralelo do que as relações amorosas? Nada, certo?
Qual é a diferença entre um debate político e uma discussão entre namorados/casados? É a quantidade de intervenientes e a audiência...

Houve uma coisa nesta campanha - e de resto, nas outras campanhas todas - que me leva à incompreensão.
Porque será que não houve uma única discussão de ideias para colocar o país no rumo certo? Porque é que só houve análises aos programas dos adversários - o que até nem foi mau de todo, tendo em conta o "embaraço" do Louçã - e pior que isso, porque é que na maioria das vezes só apontaram o dedo ao que aquele fez no ano passado, e o outro disse há 5 anos e por aí fora? Porque é que ninguém discutiu, por exemplo, o défice brutal que o país já leva?

E é aqui que entra o paralelo, vendo bem as coisas.
Quantos são os que conseguem falar em tom moderado numa discussão? Quantos são os que não tentam impor a sua personalidade e tentam chegar a um consenso? Quantos são os que planeiam e projectam, com régua e esquadro, a relação para o futuro? Quantos são os que pensam para além deles?
Quantos são os que não apontam o dedo à outra pessoa e lhe atiram à cara determinadas coisas, encravadas desde a altura em que aconteceram? Quantos não apontam os defeitos da outra pessoa e sim de si próprios?
Quantos têm a consciência e acima de tudo a coragem para reflectirem sobre os seus comportamentos?
No fundo, quantos de nós, numa discussão são capazes de admitir a culpa em algo que correu mal?

Se tantas vezes não se consegue encarar uma só pessoa, que conhecemos e nos conhece, que está lá para o que der e vier, que é a pessoa em quem devemos confiar, imaginemos o que será ter que comunicar para milhares - milhões - de pessoas desconhecidas?
É a nossa maneira, quer se goste ou não. Não nos culpabilizarmos.

E tal como foi feito um paralelo com as relações amorosas, também é possivel fazer com qualquer relação interpessoal, como as laborais. E aqui já ia dar muito mais pano para mangas. Apenas sou da opinião que enquanto não formos exigentes connosco que estamos proíbidos de exigir qualidade da classe política. Até porque o país não está enterrado só à conta deles, não é?
Eles estão lá porque querem, ninguém os obrigou, é certo. Mas se calhar somos nós que temos que começar a exigir mais e melhor, e a dar o exemplo, digo eu...

PS: Não me venham dizer que trabalham - seja na relação ou para o salário - como se não houvesse quem não o faça ou não conhecessem dezenas de exemplos nestas matérias. Eu sei quem é quem aqui, sei quem faz e quem diz que faz mas coça a micose o dia todo...

O tempo? Esse o vento levou-o...

- “Vais votar no Domingo?”
- “Quê. É já este? Lá terá que ser...
- “Oh 13, estás a gozar? Não sabias que era este Domingo? Lá estás tu a ser irónico...”
- “Quem, eu? Nã...
- “Não... 90% do que dizes é ironia!”
- “Alguma vez!

Pois, a verdade é que aquilo era a parte dos 10% em que falo a sério.
Sempre tive para mim que as coisas boas passam depressa e as más e angustiantes parecem demorar uma eternidade. Nunca me passou pela cabeça – desligado como ando dos assuntos políticos, e mais ainda das campanhas – que tal “circo” passasse tão depressa...

Isto está difícil...
O Sócas diz que é malandro e que mente; a Nelita é feia, inexpressiva – adorei a tua disponibilidade para a maquilhagem (que guapa!) – e démodé, para além de que devia era estar em casa, mais propriamente na cozinha; o Paulinho é racista; o Jerónimo vive nos anos 60 e – aqui entre nós – acho que não gosta muito de trabalhar; já o Chico diz que quer ser Primeiro mas creio que falava sob o efeito de umas quaisquer ervas – ele não disse aquilo sinceramente, pois não?

Um gajo assim até fica confuso...

"Oh, the Humanity!"*

Se um dia se quiser projectar a mentalidade e liderança futura de um povo basta esperar pelo início do ano lectivo do ensino superior.

Ver de um lado uns quantos caloiros, pintados (des)artisticamente ao sol à espera que o semáforo caia no vermelho para abordar os condutores - por certo com alguma parvoíce (mas são as praxes e o condutor até acha piada ser incomodado, desde que não peça moedinha) - e do outro lado os praxantes à sombra de uma oportuna árvore em convívio desafogado e com a bela da "miner" na mão só me dá-me que pensar quanto à necessidade destes últimos de sentirem, ainda que por breves momentos (1, 2 semanas?) a adrenalina da ditadura correr-lhes pelo corpo fora...

(Sim, é uma generalização e não, nunca fui praxado)

Sei que há por aí quem seja adepto da coisa e há três coisas das quais nunca me convencerão.

A primeira é a treta de que as praxes têm como objectivo a integração social. Sempre socializei e fiz pessoas amigas por onde passei, quer na escola, quer no trabalho - sim, já agora porque não?

A segunda é que ninguém me tira da cabeça de que não há uma qualquer frustração ou défice de algo por detrás daquilo... Talvez aquela sensação de, ainda que por pouco tempo, mandar em alguém, fazer vir ao de cima o que de mais básico e instintivo há no ser humano - o domínio sobre o próximo.

A terceira é de que um dos motivos não seja o de "adiar" a entrada nas aulas. É que há pessoas - porque as conheço e não serão excepção - que anseiam o ano lectivo inteiro e as férias pelo período das praxes.

Mas se os caloiros gostam e precisam, quem sou eu...?

Gato (pouco) Fedorento

É com grande consternação e pesar que assisto a mais uma rentrée dos Gato Fedorento na tv. Vi finalmente o tão esperado regresso e o propalado programa da esmiúça. Grande Joana Amaral (sempre em forma)!

Bem sei que a malta gosta de ver o outro lado dos políticos, principalmente o humorístico (palhaçadas à parte, pois essas são-no dia sim, dia não), e que eles - o quarteto - têm muita piada e tal mas o meu sentimento é totalmente oposto. É fracote, para ser sincero. Mais que fracote, é básico.

Desde que se tornaram "comerciais", tornaram-se um tanto básicos. Piada fácil. Ou seja, nada de especial. Estaria a ser hipócrita se dissesse que não faria o mesmo. O ganha pão não é só para alguns e todos têm que fazer pela vida, o melhor que sabem e rentabilizar os seus talentos da melhor forma possivel.
Mas como espectador - e fã (de culto, diria) - não posso deixar de viver "agarrado" ao passado e sofrer com a nostalgia de um humor perdido...















Saudades... (suspiro)

MUSICS THAT CHANGED MY WORLD... II

São os sons e os cheiros (e talvez os sabores, não sei, nunca experienciei) que transportam as minhas memórias a todos os cantos da minha vivência.

Ainda me lembro a primeira vez que ouvi esta múscia - ou som. Sei onde estava e o que fazia na altura.
Esta - ao contrário de tantas outras do Jay Kay - não me faz ter a vontade de me libertar, soltar e saltar, dançar e aproveitar o momento mas sim tem o condão de me levitar por memórias, além da capacidade de me relaxar e elevar a um sítio onde tudo é formidável e que com tanta facilidade me "perco".

Não coloco esta música no lugar mais alto da discografia do Jamiroquai, pois as que lá cabem são imensas - assim de cabeça vêm-me logo de rajada a "Starchild, Hot Tequilla Brown, Litte L, Soul Education, You Give Me Something, Love Foolosophy (esta então...), Tallulah, Don't Give Hate a Chance, Cosmic Girl (a primeira que ouvi), Alright" e por aí fora... (tive a sorte de na altura em que nem sabia o que mp3 era, ter um amigo que até então eu desconhecia gostar de Jamiroquai).

Porque facilmente me deixo ir e iludir...


Jamiroquai "Destitute Illusions"

E ao 13º dia...

... O 13 parou (assim, na terceira pessoa, à jogador da bola).

Treze dias consecutivos a trabalhar é novo recorde pessoal absoluto. Agora venham as "férias". E dormir como se amanhã fosse trabalhar e não me apetecesse nada ir e de sem querer adormecesse...

Vou hibernar.

Seco ou molhado é tudo o mesmo.

A culpa não é dos condutores, é da chuva.

Hum... Será que com esta terei direito a figurar no Dicionário de Citações da Oxford University Press?
Pelo sim, pelo não:

It's not the drivers' fault, it's the rain's.

Como é que eles já andam...

SMS acabada de chegar da DGS:

«Com sintomas de gripe fique em casa e ligue (...) ou contacte o seu médico. Reforce as medidas de higiene. Evite contagiar outros.»

Conceito (perfeito) de Sentido de oportunidade (vulgo "Timming")

Após a espera de 2 semanas mais 1 (fora do comum) dia e após um dia de trabalho de "morte", chegar a casa ainda a tempo de apanhar metade do 3º set da final do US Open, para no 4º - no tie-break - a Zon falhar e impedir o visionamento desse mesmo set, permitindo apenas ver o 5º set com chuva em que não se via a bola, apenas os jogadores, e os pontos eram perceptiveis pela reacção do público e pelo marcador...

Se eu podia viver sem a Zon? Claro que podia! E seria exactamente a mesma coisa!

Obrigado Zon!

Roger, o Grande - II

Não venceu o US Open mas deixou esta marca... Alienígena.



Apesar de já alguns terem feito pancadas do género, nunca tinha visto uma ser executada com a bola tão rente ao chão.

MUSICS THAT CHANGED MY WORLD...

The Shapeshifters - Lola's Theme (Lola's Loungin Mix)



Há coisas que simplesmente sabem qual o momento certo para se nos apresentarem. A versão lounge de um elo há muito esvaziado da memória...

E quando pensas que já viste tudo...

... Heis que há sempre algo mais a acrescentar.

EXISTENCIALISMO FUGAZ, ou a ironia nas sete quintas

1 mês parado é o suficiente para dar em louco. Vi-me com extrema dificuldade em socializar. Talvez também porque se há coisa que me deixa desconfortável é que me perguntem acerca da minha ausência. E no caso não há a possibilidade de mentir, apenas omitir, pois as marcas de guerra estão bem à vista. Inventar não é má ideia, se bem que num espaço social tão curto dizer que fui intervencionado por responsabilidade de uma queda a fazer motocrosse não tenha parecido credível perante muita gente...

Este regresso em força à actividade marca o início da paranóia à conta da gripe que anda aí para nos apanhar, qual Boogie-Man. É o regresso das roçadelas e dos "perfumes" mesclados nos transportes públicos, o regresso dos peões a pavonearem-se nas passadeiras, os apitos, os insultos e os acidentes logo pela manhã.
É o regresso aos carros nos passeios e dos papéis à espera de se "biodegradarem" nas calçadas.
Os Don Juans estão de volta - ser gaja por vezes deve ser complicado... - para mais uns brilharetes linguísticos.

Mais que tudo, é o regresso em grande da há mui desaparecida Ironia. Um regresso que representa precisamente os últimos 13 (treze) dias para um mundo... Desconhecido. Correr atrás do tempo já não é novidade. Adiá-lo ainda menos. Lá terá que ser...

O regresso de um regresso iminente...

PORTUGAL PROFUNDO, ou o jornalismo e a omissão como reflexo da sociedade.

Antes de escrever o que tenho a escrever, tenho que aucatelar para a questão de eu saber que certas coisas não se passam só neste país. Mas como se costuma dizer, com o mal dos outros posso eu bem. Interessa-me o meu país, antes de todos os outros.

Sempre fui péssimo na arte do zapping. É um facto. Não sei se isso é problemático, sintoma de alguma insuficiência ou deficiência ou se faz de mim menos homem.
Já o A., sempre que o recebo em casa, passo-lhe o comando para as mãos, pois tenho que lhe reconhecer uma grande capacidade para tal. Principalmente para o timming de pesquisa e o tempo que dá a cada canal.

Até que de canal em canal parou nas notícias. Não direi qual era o canal televisivo porque não há necessidade de expor os profissionais às vicissitudes e temperamentos de um jovem “desgraçado” como eu. Digamos apenas que é um canal noticioso de um estação pública...

Se dúvidas havia para a minha convicção de não ver notícias, ontem ficaram totalmente desfeitas. Dei comigo a pensar – e a comentar -, após 5 ou 6 notícias seguidinhas, que só davam desgraças.

Já à noite, no mesmo canal, apercebo-me do rol de mentiras – omissões, vá – que o apresentador do jornal me tenta pegar acerca do debate entre a Dra. Manuela Ferreira Leite e o Dr. Francisco Louçã. E digo tenta porque, curiosamente, tinha acabado de ver o dito frente-a-frente. Não tinham passado nem sequer 5 minutos após o debate e estava eu a ouvir um flagrante desviar de atenções.

O jornalismo é fraco. É francamente mau! Como em (quase) tudo, querem boa qualidade por pouco. Pegar em coisas que foram ditas e contorná-las ou focar na parte menos importante é, a meu ver, omitir o mais importante – a verdade. É fazer mau jornalismo, é desinformar os tele-espectadores e no fundo, desresponsabiliza as pessoas de verem, pensarem e concluirem por si próprias... É acima de tudo um péssimo exemplo de como anda o país.

PS: Tenho que admitir que fiquei positivamente agradado com a forma de estar da Ferreira Leite. Mais que tudo, deixou os discursos floreados e ficou-se simplesmente pela verdade. E mais uma vez confirmei que o Louçã tem perfeita noção que nunca será eleito nem terá um cargo de alta responsabilidade, simplesmente pelas ideias que defende e pela forma com que as defende. Demagogia é favor...

Conceito de sensualidade...

... Virado do avesso.

Por mais que presencie nunca vou ser capaz de superar a imagem de uma mulher a cuspir. Há ali qualquer coisa que não bate certo, que parece um disco riscado num dia sem mácula. Nesse contexto - e somente nesse - tenho que admitir sem remorsos o meu machismo. Proíbam as mulheres da cuspidela pública!

Mullheres de Portugal, adoro-vos! É cá bem do fundinho deste meu coração mole. É a mais profunda verdade (há sempre as excepções), mas tenho que dizer que ver-vos cuspir - aka escarrar - é tão sensual para mim como o é para vocês um homem que coça os tomates enquanto fala convosco.

E o prémio "Mas Tu Estás Estúpido Ou Simplesmente Não Tens Noção Nenhuma De Piroseira?" vai para...

A primeira página do jornal 'A Bola' de hoje (02/09/2009):

Porque este é um grande...

... Filme!

Um dos melhores filmes deste ano e um dos grandes filmes a constar na minha videoteca.

A imensidão de momentos, o percurso e o final, ornamentados pelos diálogos muitíssimo bem emparelhados. E a imagem, as cores, a estética.

A história e o filme em si não será para todos, mais a mais com as cenas de violência - "só os homens são presos, os cães abatem-se" é uma delas - mas é, a meu ver, uma história mais verdadeira que se dá a parecer, bem sintomática e apelativa ao pensamento e à percepção de tudo quanto nos rodeia.

A verdadeira natureza humana no seu auge e a procura de milagres. Há algo de infinitamente belo nisso, há algo que me cativa na busca do impossível, na harmonia e na crença de um bem-estar geral. Ou então sou eu que (ainda) tendo a sonhar inesperada e inconscientemente.

E o momento da primeira aparição da Silk Spectre é simplesmente...

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Ai Jasus!

Jorge Jesus:
«Fizemos 45 minutos diabólicos»

Oh Jesus, podes utilizar esse tipo de palavreado? Não deverias dizer "divinais" ao invés de "diabólicos"?
Ai se Ele te ouve... (Faz-te num 8)