PORTUGAL PROFUNDO, ou o jornalismo e a omissão como reflexo da sociedade.

Antes de escrever o que tenho a escrever, tenho que aucatelar para a questão de eu saber que certas coisas não se passam só neste país. Mas como se costuma dizer, com o mal dos outros posso eu bem. Interessa-me o meu país, antes de todos os outros.

Sempre fui péssimo na arte do zapping. É um facto. Não sei se isso é problemático, sintoma de alguma insuficiência ou deficiência ou se faz de mim menos homem.
Já o A., sempre que o recebo em casa, passo-lhe o comando para as mãos, pois tenho que lhe reconhecer uma grande capacidade para tal. Principalmente para o timming de pesquisa e o tempo que dá a cada canal.

Até que de canal em canal parou nas notícias. Não direi qual era o canal televisivo porque não há necessidade de expor os profissionais às vicissitudes e temperamentos de um jovem “desgraçado” como eu. Digamos apenas que é um canal noticioso de um estação pública...

Se dúvidas havia para a minha convicção de não ver notícias, ontem ficaram totalmente desfeitas. Dei comigo a pensar – e a comentar -, após 5 ou 6 notícias seguidinhas, que só davam desgraças.

Já à noite, no mesmo canal, apercebo-me do rol de mentiras – omissões, vá – que o apresentador do jornal me tenta pegar acerca do debate entre a Dra. Manuela Ferreira Leite e o Dr. Francisco Louçã. E digo tenta porque, curiosamente, tinha acabado de ver o dito frente-a-frente. Não tinham passado nem sequer 5 minutos após o debate e estava eu a ouvir um flagrante desviar de atenções.

O jornalismo é fraco. É francamente mau! Como em (quase) tudo, querem boa qualidade por pouco. Pegar em coisas que foram ditas e contorná-las ou focar na parte menos importante é, a meu ver, omitir o mais importante – a verdade. É fazer mau jornalismo, é desinformar os tele-espectadores e no fundo, desresponsabiliza as pessoas de verem, pensarem e concluirem por si próprias... É acima de tudo um péssimo exemplo de como anda o país.

PS: Tenho que admitir que fiquei positivamente agradado com a forma de estar da Ferreira Leite. Mais que tudo, deixou os discursos floreados e ficou-se simplesmente pela verdade. E mais uma vez confirmei que o Louçã tem perfeita noção que nunca será eleito nem terá um cargo de alta responsabilidade, simplesmente pelas ideias que defende e pela forma com que as defende. Demagogia é favor...

14 comentários:

Gingerbread Girl disse...

A Ferreira Leite vai ganhar... sem dúvida.

Quanto ao zapping... um dos elfos desapareceu-me com o comando da MEO há 3 semanas... depois de uma valente sova fechei-o na despensa... ainda lá está. Por falar nisso... acho que há 3 dias que me esqueço de lhe levar comida... mhm...

Sabes quanto custa fazer um zapping manual?!? :s
Balha-me deuse!!! -.-

João Cacelas disse...

Dizes tudo no texto, pelo que me limito a assinar por baixo.

13 disse...

Ginger,

ganhe quem ganhar, cabe-nos a nós mudar o que se passa. Esperar por eles para o fazerem é esperar que chova no deserto. Talvez a probabilidade seja inferior...

E não te preocupes com o piqueno. Aguentam na boa 1 semana assim :D

Se o comando deixasse de funcionar no preciso momento em que acabasse de chegar às Tardes da Julia, mais depressa morria de depressão induzida do que me levantava para mudar... :D

13 disse...

João,

prontos, está bem :)

LBJ disse...

Que importa a verdade hoje a um jornalista? O que importa é a notícia, por isso (e por outras razões) deixei de ver televisão :)

Ainda falta muito para as eleições? :)

Abraços (espero que menos doridos para ti)

GiGi disse...

Uma coisa eu não sabia e pude constatar recentemente, apenas acompanhando os blogs portugueses:

O Brasil assemelha-se a Portugal de uma tal forma como eu jamais havia imaginado.

Nas proposições de Afrânio Peixoto, é bem uma relação pai-filho mesmo. Embora, o "garotinho" já esteja crescido e caminha às próprias pernas, ainda em plena flor da juventude. Pois, ainda tem muito a aprender.

13 disse...

LBJ,

pois eu já só vejo "meia-duzia" de programas. E desporto.
Quanto às eleições, hás-de dar por elas. Vêm e vão num piscar de olhos :)

Abraço (tirei os pontos hoje e é uma questão de 1,2 semanas até estar recuperado e depois será uma questão mental. Obrigado)

13 disse...

GiGi,

pois, quanto ao Brasil desconheço (quase) por completo. Mas por aqui, sim, ainda temos muito trabalho pela frente. Saber se vamos a tempo é a grande questão...

Pronúncia disse...

13, e ver a mesma notícia nas televisões todas?! É um espectáculo... cada um dá dados diferentes. Raios, não se informam antes de dar a notícia.

Coitado do código deontológico dos jornalistas, é violado todos os dias (onde é que eu já ouvi isto)?!

Hoje não temos notícias, temos sensacionalismo disfarçado de notícias, porque é isso que o meu povo gosta, é isso que consome e é isso que dá audiências.
Informar é secundário... não estão lá para isso!

O zapping é bom para os fulanos que querem acabar com a barriguinha... basta colá-lo aos pés! ;)

Moyle disse...

é bem verdade que a Manuela dispensou os floreados e que optou por um discurso de verdade (hoje já a ouvi e o que escrevo já é discutível, mas sigamos), de acordo. Mas qual verdade escolheu ela?

quanto ao Louçã, não acho que ele seja demagógico porque aquilo que ele propõe não só é realizável como existiu no mundo desenvolvido efectivamente durante 3 décadas com bons resultados (Portugal era uma ditadura e não entrou nessas contas). o problema é que as coisas mudaram e é isso que ele não diz. a social democracia de pleno emprego e de estado providência é possível hoje? a essa questão ele não responde satisfatoriamente. mas ele fala como quem não irá ganhar, isso é óbvio e estamos de acordo também aí.

13 disse...

Pronúncia,

a mesma notícia em diferentes televisões nunca reparei. Vou fazer um esforço e ver uns telejornais.

Gostei do teu conceito de zapping :)

13 disse...

Moyle,

quando falei em verdade, falei na dela. Disse o que pensava sem rodeios, mesmo algumas questões mais delicadas (o que não implica que me incline para ela).

Quanto às ideias do Louçã, é precisamente o que dizes, as coisas mudaram. Há certas coisas que simplesmente são irrealizáveis e nesse sentido é demagogia afirmá-las, sabendo ele (ou quem o fizer) que fala para pessoas que acreditam na possibilidade de materialização dessas ideias.
Prefiro metas realistas, concretizáveis, ponderadas e bem estruturadas do que levar com algo que sei ser impossivel.

Dylan disse...

13, agora conhecido por 8-1,

Falas do João Marcelino? Esse ícone jornalístico...

13 disse...

Dylan,

não. Nem sei o nome do gajo. Mas nem é só ele, são todos porque todos eles sabem como funciona a cabeça do espectador...