Qualquer semelhança entre este texto e uma veneração ao Mourinho é pura coincidência.

Acabo de ler "José Mourinho - Um Ciclo de Vitórias". Lido em apenas (este apenas é relativo a mim e não por ser algo de extraordinário, o que, juntamente com 2 livros lidos recentemente me fez perceber que afinal o problema não é a capacidade de apreensão que está em causa mas tão somente o conteúdo) num dia.

O que retiro dele nada tem a ver com futebol, embora seja essa uma reacção natural para quem se depara com o livro. Embora dê para perceber que a nível teórico é alguém completamente diferente do que é hábito (principalmente cá mas também lá fora), que recusa visivelmente o discurso cliché do mundo em que está inserido.
Retiro "apenas" um treinador e profissional ambicioso (sem que isso signifique espezinhar quem está no seu caminho), corajoso, firme e crente no seu valor e frontal (não a frontalidade/sinceridade que se apregoa por aí, que mais não são que simples discursos arruaceiros e fracos de substância e com falta de provas dadas) que sabe o que quer e como atingir as suas pretensões. Unica e exclusivamente à custa de muito trabalho.
Vejo alguém que olha aos detalhes como poucos e que nada deixa ao acaso, sendo naturalmente bafejado de vez em quando, como toda a gente aliás, pela sorte.
Apreendo, como já referi antes um profissional com um discurso elaborado, claro, confiante, motivador e, como não podia deixar de ser, ganhador.

Reconheço na última frase do livro aquilo que tanta falta faz a um país que vive constantemente em intrigas consigo próprio e carregado de inveja por quem triunfa.
Como não? Só conhecendo o mau se reconhece o bom. Só sabendo o que é feio se percebe o que é bonito. Só aceitando a tristeza se compreende a alegria.

É por isso que se vislumbra a competência. O inconformismo de alguém que quer mais, que não vive à sombra triunfos recentes ou longíquos.

Como já o disse faz tempo, arrogante ou não, goste-se ou não dele, é o que é e tem o valor que tem, o valor que cada um lhe queira dar.
Eu tenho a minha opinião. É apenas a minha.


PS: E é português. Com auto-estima, por mais incrivel que pareça.

12 comentários:

Dylan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dylan disse...

Claro que reconheço a competência a José Mourinho, mas sim, já espezinhou muita gente no seu caminho - Jaime Pacheco que o diga, a camisola rasgada de Rui Jorge que o diga. Alguém que disse que "para ganhar vale tudo." Será isto inveja? Não me parece...

Salvador disse...

Viu as fotos em que o Mourinho e o Materazzi (suplente) choravam na despedida?
É o lado humano do Mourinho, que aliado ao seu grande profissionalismo, faz a diferença.

Noya disse...

Dylan,
não disse que era perfeito (ninguém o é, a não ser aqueles que nada arriscam).
Quanto ao caso da camisola ainda hoje está para se saber o que realmente se passou (não estou a defender nem a acusar).
Quanto ao Pacheco, para ser sincero, não sei o que disse ou fez. Apenas sei que criticava aquilo que qualquer um criticava, o anti-jogo. Mas como disse, não é perfeito. E exemplo é só para quem achar que deve ser (na maioria dos aspectos, é o meu caso).

Noya disse...

Salvador,
bem-vindo, antes de mais.
É certo que o Mourinho teatraliza um pouco (como até acho que foi o caso) mas por alguma coisa tantos jogadores dizem o que dizem dele. Acredito que seja um líder fantástico.

Pronúncia disse...

Já sabes o que acho dele... gosto! :)

Bom fim de semana

Dylan disse...

Em Portugal há muitos líricos, muitos que gostam de ver os portugueses fracassarem. Não me espanta que venha alguma crítica à postura do Jorge e do Braga em Parma. Se aparecem alguns inteligentes como o Jaime Pacheco, que só tem um neurónio e funciona mal, o Jorge sabe lidar com esses inteligentes de um neurónio só, afirmou Mourinho em entrevista à RTP.

http://www.record.xl.pt/interior.aspx?content_id=297949

Dylan disse...

O técnico José Mourinho, que já no desenrolar do 'flash interview' se mostrou bastante nervoso, cerca de cinco minutos depois deste, quando o roupeiro do Sporting, Paulinho, se dirigiu aos balneários com a camisola 23 para fazer a troca com o jogador do FC Porto, foi interceptado no hall de acesso aos balneários pelo dito técnico, tirando-lhe este a camisola e rasgando-a. Esta atitude de Mourinho deveu-se, segundo ele, à falta de 'fair play' de Rui Jorge aquando da lesão de João Pinto.

Após esta situação foi-nos comentado pelo administrador da Sporting, SAD, José Eduardo Bettencourt, que Mourinho teria proferido a seguinte declaração: 'Rui Jorge devia morrer em campo!' Porém, esta frase, não foi ouvida por mim."


Relatório de Paulino Leite de Carvalho, um dos delegados da Liga presentes em Alvalade np célebre jogo com o FCP.
http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Porto/interior.aspx?content_id=186923

Noya disse...

Pronúncia,
eu sei porque é que gostas dele... :)

Pronúncia disse...

Também, mas não só... ;)

Noya disse...

Dylan,
vi agora (devia ter procurado antes de comentar anteriormente) que nas escutas do Apito há a admissão que efectivamente se passou isso, e nesse caso é e será sempre reprovável.

Quanto ao Pacheco, tenho que admitir que é brusca embora não se sabendo o contexto. Mas não consegui deixar de rir. Tem uma certa piada. Ainda que de mau gosto.

Mas lá está, Dylan, eu admiro o profissional.

Moyle disse...

Ninguém ganha tanto ao calhas... há que meter isso na mona de muito triste que por aí anda.