E depois há aqueles comentários estúpidos...

No desenvolvimento do serviço público do texto anterior veio a memória achincalhar-me com algo a que tive acesso privilegiado. Deu-se o ano passado, numa segunda-feira:

Funcionária pública - Olhe que estas análises eram para a sexta passada...
Utente - Pois, eu sei, mas vim cá e estavam fechados.
FP - Pois, quinta foi feriado e deram-nos ponte.
U - Então e agora?
FP - Agora vai ter que ir ali ao lado remarcar as análises.
U - Então mas eu venho cá de propósito no dia em que estão marcadas, estão fechados e não avisam e ainda por cima tenho que ir remarcá-las?! Isto é mesmo a gozar com uma pessoa!
FP - Olhe, queixe-se ao Sócrates!

E foi ali que sobressaiu, infelizmente, o meu maior defeito (gosto de acreditar que é esse...) - o facto de não me sairem na hora os pensamentos brilhantes que tenho minutos depois.

Tem que haver qualquer coisa de místico com os guichets. Há ali algo que deve transformar uma pessoa por completo, só pode! Parece que se tornam autênticas raínhas (sim, porque ainda não vi nenhum homem nessas funções).

Algo me diz que todos os ditadores da História começaram por trabalhar atrás de um balcão.

12 comentários:

forteifeio disse...

Ontem vi uma situação semelhante, se eu "mandasse" na menina acho que ela ia perceber depressa que não podia ter esse tipo de atitudes.

Maria...ia disse...

E eis que passo por aqui... Finalmente :-)!

As senhoras dos guichets sofrem de um retrocesso cognitivo quando confrontadas com uma suposta posição que lhe confere um suposto poder. São, normalmente, pessoas que não se distinguem em simpatia, profissionalismo e disponibilidade, condições pelas quais o serviço deveria primar. Não as vejo como rainhas - Deus me livre! - mas acho que ali dentro se vive um conto do "Era uma vez...", entre muito make-up, verniz de unhas e conversas lots of pink :D

;)

Moyle disse...

sabes do que sofres? esprit de l'escalier (aprendi com a Ipsis). é precisamente quando um gajo se lembra tarde demais da frase brilhante que deveria ter dito na hora H, ou seja, quando já vai "nas escadas" para ir embora e o timing foi ao ar.

Cirrus disse...

Há duas frases que podes dizer sempre nestas situações, que ficam sempre bem:

-Não!

Mas não o quê? Não. E acredita que a coisa nunca cai em saco roto e dá-te empo para pensares na continuação.

Segunda:

-Isso são pormenores!

Esta é ainda mais agressiva e a coroa cai-lhes facilmente. Verás...

13 disse...

forte,
é precisamente em algo desse género que pensei (mais tarde, evidentemente) - teoricamente nós é que mandamos nessas "meninas". E ela é que devia pedir desculpa ao senhor que atendeu...

13 disse...

Maria,
também não perdeste nada de mais... O estranho é que, por exemplo, as enfermeiras são excelentes (e agora que me lembro, há uma senhora que me atende nas consultas que é de uma simpatia tremenda). Raínhas ou não, sofrendo de retrocessos ou miragens, a verdade é que prestam um péssimo serviço, mas é um pouco como o Moyle comentou no texto anterior, parece uma sociedade secreta e temos que enfrentar aquele guichet como se estivessemos num tapete rolante numa qualquer fábrica...

13 disse...

Moyle,
obrigado pela definição, pelo menos agora já sei que é algo "científico" :)

(Onde é que a ipsis vai buscar esses conhecimentos...?)

13 disse...

Cirrus,
o problema é que não era eu o utente, por isso não sei bem como reagiria... (Por falta de hábito provavelmente faria o mesmo que o senhor fez)

Mas essas duas são interessantes...

Maya disse...

Este género de situações tem um nome: IMPUNIDADE. Tão simples quanto isso.
Acontece-lhe alguma coisa por ser tão mal educada ou ineficiente? Não.

Moyle disse...

bem, é uma boa pergunta mas à qual não posso acrescentar grande informação. depois de saber, ouvi entretanto mais vezes a expressão. se calhar é mais divulgado do que imaginaria, mas não quero menosprezar os conhecimentos da Ipsis :)

13 disse...

Maya,
também. Mas é principalmente pelo facto de não haver muitas reclamações (e aqui aponto-me também o dedo).

13 disse...

Moyle,
pois eu foi mesmo a primeira vez. (Nem tu nem eu :))