Retirada da camisola 23?

É isto que Lebron James (jogador dos Cleveland Cavaliers) propõe como forma de homenagear Michael Jordan.

(Deixo desde já de parte a conversa acerca das intenções por detrás deste acto [marketing ou o que quer que seja] e a parte acerca do desrespeito ou "esquecimento" de outros grandes jogadores da história da NBA.)

Mais do que uma homenagem, é o imortalizar de um jogador. É o elevar - se é que o já não é... - ao estatuto de lenda de um verdadeiro exemplo, não só do basquete, mas do desporto.

De tantas memórias que conservo do MJ enquanto cresci vendo-o jogar, aquela que para sempre recordarei - para lá do afundanço na "cara" de Pat Ewing, dos lançamentos para trás ou suspensos como se o tempo para ele desacelerasse, da língua de fora, do vôo a partir da linha de lance livre para afundar, do lançamento de olhos fechados, da bola controlada dominada numa mão a protegê-la dos adversários antes de arrancar e os deixar para trás, da assistência para o John Paxson decidir contra os Suns ou para o Steven Kerr contra os Jazz, do jogo 3 da final de 1993 em que bateu o recorde de lançamentos triplos numa só parte em que se virou para o público e encolheu os ombros e abanou a cabeça como que a dizer "não dá, hoje não consigo falhar", da liderança e da motivação que provocava ou quando chorou pela morte recente do pai agarrando-se à bola de jogo da primeira final ganha em 91- será o jogo 5 da final de 1997 em Utah. Segui o jogo - intensíssimo! - em directo e recordo-me como se tivesse sido ontem.
O motivo?
O melhor jogo da carreira dele.
Porquê?
Por isto:



E isto sim, são coisas que marcam.
Redefiniu a NBA e revolucionou a forma como se vê hoje o basquete. É certo, sem rivais à altura não teria sido o mesmo. Talvez, quem sabe...
Retirar ou não o número 23 de todas as equipas é algo que pouco me dirá. As memórias ficam e enquanto der, perdurarão em mim. E é isso que me interessa.

Por tanta coisa, por toda uma história (assente nisto), porque cresci a vê-lo, sim, tornou-se natural e facilmente o meu ídolo de adolescência (mantendo-se até hoje).

8 comentários:

Catsone disse...

Como tu dizes e bem, sem rivais à altura. Quem é que conseguia fazer afundanços na cara do Ewing? Lembras da qualidade dos jogadores daquela altura?
Foi um dos maiores desportistas de sempre. Se essa é a melhor maneira de o homenagear não sei, mas já é uma boa intenção.

Moyle disse...

e porque não? no entanto, alinho contigo no sentido de que não é o mais importante. enquanto houver quem se lembre das finais dos Bulls, não é preciso tirar nenhuma camisola.

Pulha Garcia disse...

100% de acordo...

13 disse...

Catsone,
sem rivais à altura não. Reli e realmente dá a sensação que quis dizer isso, mas não. O que escrevi foi que se não tivesse tido rivais à altura, talvez não se lhe desse tatno crédito.

Mas sim, para mim foi inigualável, venha quem vier... E numa altura - como bem referes - em que havia jogadores "estrondosos", não só a nível de jogo mas também a nível de influência e respeito. Ainda bem que tive a oportunidade de os ver...

(Ainda tenho a final do Dream Team em Barcelona).

13 disse...

Moyle,
pois, parece que também o Phil Jackson é a favor...

13 disse...

Garcia,
obrigado :)

Cirrus disse...

Lembro-me perfeitamente da final de 97 e deste jogo em particular. Foi a última época que acompanhei da NBA. Tal como na fórmula 1, em que o abandono de Prost e Mansell e a morte de Senna, o abandono das lendas do basket americano, como Jordan, Magic, Bird, Pippen, Kareem e Barkley retiraram todo o interesse da competição.
Lembro-me de estar desesperado por uma vitória dos Bulls, face à arrogância de Stockton e Malone, os líderes dos mormons.

13 disse...

Cirrus,
foi em 97 ou 98 que viste pela última vez? É que em 98 foi o último campeonato conquistado por eles.
Ambas as finais contra os Jazz foi assim, com muita ansiedade è mistura...