É preciso é compreensão...

Ainda o texto anterior e após uma pequena troca de comentários tomei conhecimento do 'Princípio de Peter' (ignorância a minha, shame on me). Quem não sabe aqui fica a definição breve, pelas palavras sucintas da Pronúncia:
«Num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência.»

Faz cada vez mais sentido a cada dia que passa. Quanto mais porreiros formos, maior será a probabilidade de se ser bem sucedido.
Quem explica isto de forma brilhante é o Esteves Cardoso, já no longíquo 91 (se não estou enganado), no texto "Os Caras de Cu". Aliás, brilhante e incrivel é a semelhança dos seus textos dessa altura acerca da realidade de então com a realidade de hoje.
Tenho para mim que viajou do futuro para os escrever.

Não consigo perceber como pode haver tanta gente desinteressada. Ninguém está para se chatear.
É tudo deixa andar, "não te preocupes", "quem o meteu cá que o ature", "não tenho nada a ver com isso" e por aí fora...

Como? Porquê?
Será do clima? Será que torna as pessoas assim tão comodistas a esse ponto?

Eu daria um péssimo chefe. É certo! Tenho a certeza que ninguém gostaria de mim. Até os engraxadores e os lambe-botas me detestariam assim que percebessem que as minhas botas não precisariam de graxa e muito menos de saliva... Provavelmente os patrões também não, com a quantidade de indemnizações que tinham que pagar constantemente.

É tudo demasiado cansativo, desgastante. Cada vez mais tenho vindo a perder a fé nas pessoas (felizmente há, ainda, muitas excepções).

Só espero que isto se passe somente no meu local de trabalho. Assim o desejo (mesmo sabendo a resposta, quero acreditar que não sei).

Talvez isto tenha que ir parar às mãos do BE, os humanistas, para ver se vamos abaixo de vez. Pelo menos vamos felizes inconsientemente em fumos...

Peace and Love, brothers and sisters. Yeah...

10 comentários:

GiGi disse...

Algo parecido acontece por aqui, especificamente na área da saúde (não sei tão bem quanto às outras). Há alguns profissionais excelentes e empenhados, enquanto a maioria lá está apenas por um emprego estável e salário, cumprindo não mais que a obrigação. Se há um projeto magnífico, vindo de uma unidade de saúde, que beneficiará a população de determinado município ou bairro, normalmente ele depara-se com uma barreira: o despreparo dos gestores, da administração pública, que quase nada entende sobre o assunto e pouco se importa em entender.

É isso. As pessoas trabalham pelo dinheiro e tornam-se péssimos profissionais ou trabalhadores, com a saúde debilitada com o passar dos anos e a vida sem sentido. Pois, ninguém está interessado no desenvolvimento contínuo e como um todo, mas apenas no próprio bem-estar.

João Cacelas disse...

É o nacional porreirismo no seu melhor. E por mais que se tente levar o barco para bom-porto (ou pelo menos para outros diferentes), a maioria continua a preferir deixá-lo estar onde está, sem chatices nem essa coisa esquisita de ter que trabalhar. E já todos sabemos que a maioria vence sempre, nem que seja pelo cansaço...
Nota: Desculpa se isto está confuso, foi dos "fumos". :D

Gingerbread Girl disse...

Não tenho patrões mas... acho que isso é uma realidade nacional.
Pelo o menos é o que tenho ouvido "por aí".


*

Treze disse...

GiGi,

estou a ler-te e parece que me estou a rever nisso...

Treze disse...

João,

e o pior é que já nem dá para falar porque quem pensa em voz alta aquilo que muitos somente pensam é visto como o mal-educado e impertinente.

Deixa lá, dos fumos devo ser eu que já não é a primeira vez que escrevo sobre isto. E espero que seja a última, que já não há-de faltar muito... Já comecei a deixar andar o resto e preocupar-me só comigo e com o meu trabalho.

Treze disse...

Ginger,

sorte a tua. E que tal é a Ginger patroa? :)

Pronúncia disse...

Treze, a frase não é minha. É mesmo do professor Peter. ;)

Sabes, eu já trabalho há uns anitos consideráveis e já tive mais do que um emprego. Todos tem altos e baixos, coisas boas e más.

Já tive excelentes chefes, já tive péssimos chefes... há de tudo.
Mas uma coisa é certa, a nossa satisfação no trabalho, passa muito por nós... e também temos que nos adaptar às circunstâncias, desde que não colidam com os nossos valores, claro!

Quanto aos "tugas", ainda hoje ao jantar falavamos nisso. O Português é pessimista, porque cada vez mais se dá conta de que há uma classe dirigente que parece que os quer assim... tristes, chateados e sem esperança... são mais manobráveis!

Porque se pensares bem, quando um português vai trabalhar para outro país, de uma maneira geral, o trabalho dele até é apreciado, quer seja mais ou menos qualificado. E, raios, o "tuga" é o mesmo. Porque é que lá fora produz e aqui não?!

Dá que pensar, não dá?!... Mas agora não me apetece pensar muito. Estou de férias! Yuppiiiiiii! :D

Gingerbread Girl disse...

A patroa sou eu mesma... devias de ver as reuniões de accionistas. Não são mesmo nada animadas. =|

Treze disse...

Pronúncia,

eu bem que vou tentando "ter" chefes melhores (ou mais exigentes), mas eles não me querem...

E publicidade dessas (as férias) por aqui é que não! Xô! :D

Treze disse...

Ginger,

eu percebi, daí perguntar à Ginger trabalhadora como é a Ginger patroa? Deve ser lixada... :)