EXISTENCIALISMO FUGAZ, ou a Sociedade a curto-prazo.

Há algo de estranho nos filhos dos pais ou nos pais dos filhos. Estranho ou algo já tomado como exemplo, vitima da natureza crua e bruta em que hoje se vive.

O senhor nos seus 60/70 anos enganou-se e carregou no botão na paragem do autocarro. Na paragem seguinte - na que queria realmente sair -, antes de dar por terminado a sua viagem, por entre palavras impedidas de as captar por estar com o meu leitor ligado, percebo inicialmente um educado e delicado "desculpe o engano na paragem anterior..." (interferência sonora do meu leitor juntamente com o "vá, ande lá, deixe lá isso" de uma senhora (?) nos seus 30/40 anos) "...boa noite, obrigado e continuação de bom trabalho".

Sei como a senhora era. Não importa agora identificar as suas características. O que me desperta é precisamente o constante desrespeito que tem vindo a crescer perante os outros. Não sei se é dos tempos que correm (e que nunca mais voltarão atrás) em que a paciência parece ser uma palavra extinta, parecendo haver uma libertação ou autorização para apontar o dedo, criticar tudo o que mexe, como que sendo sinal (mais que óbvio, parece-me) de uma cada vez maior frustração pela incapacidade de viver as coisas simples. Tudo e nada se quer, garantindo desde logo uma inexplicável, inconsciente e constante insatisfação.

Se hoje temos o que temos é porque os pais "rebelaram-se" contra e perante a educação dos seus pais (avós dos filhos) e os filhos rebelaram-se precisamente na mesma proporção contra os pais. E o resultado está à vista. Ganhou-se um à vontade tal que respeito é algo que muito poucos hoje sabem o que é. Culpados há muitos. Vítima há uma só: a sociedade a curto-prazo.

14 comentários:

GiGi disse...

Saiba que ando a pensar nisto, às vezes.

Acredito que o excesso de "liberdade" inicia-se dentro de casa. Os pais dão tudo aos filhos, estes não aprendem a conquistar por si só o que desejam. Dão tudo, mas não ensinam sobre motivação, entusiasmo e noção de respeito ao próximo.

Por isso, a questão "que mundo vamos deixar a nossos filhos?" já se faz outra: "que filhos vamos deixar para este mundo?".

Gingerbread Girl disse...

Uuuuuuuh...

Deep.

São problemas sociais... que vão passar de "problemas" a "características"...

Infelizmente.

kiss*

forteifeio disse...

Ora bem.
Vitimas seremos todos.

LBJ disse...

O problema é maior quando nos olhamos no espelho e nem nos respeitamos a nós próprios, desculpa lá mas isto hoje está complicado.

Abraço

Pronúncia disse...

O meu consolo é que ainda vou vendo miúdos muito bem educados. Conheço alguns!

Mas olha que conheço muitos mais que educação é coisa que não faz parte dos vocabulários deles... nem dos pais!
E se há coisa que me tira do sério, são criancinhas (ou adultos) mal educados... especialmente quando o alvo da má criação são os mais idosos!
Fico possessa!...

Treze disse...

GiGi,

boa pergunta, realmente.

Treze disse...

Ginger,

too deep, in fact. Não sei bem o que se está a passar. Talvez uma fase. É falta de praia e campo :)

Há bem pouco tempo "stress" não existia e hoje já é considerado doença ou motivo de tratamento. Quem sabe se não aparecerão novos profissionais para essa "característica"... :s

Treze disse...

forte,

não seremos já?

Treze disse...

LBJ,

espero que isso seja uma generalização e não uma opinião pessoal... Nem acredito nisso.

Abraço.

Treze disse...

Pronúncia,

isso reflecte apenas a forma como lidamos com a idade... Infelizmente.

João Cacelas disse...

O respeito (que era muito bonito) foi-se quase todo pelo cano abaixo. É como escreve a Gingerbread Girl no seu comentário. Fui educado por uma pessoa com idade para ser minha avó e numa rua onde era muito normal conviver com idosos, desde sempre convivi com idosos e continuo a conviver, com o respeito e a admiração que lhes são devidos e entristece-me sobremaneira ver pessoas da minha idade (22, 20 e picos) e até pessoas que se dizem ser adultas, doutoradas, cultas e tudo e mais alguma coisa a tratar os velhotes como se fossem lixo, como se fossem descartáveis.
Essas pessoas, para te ser sincero, metem-me nojo, mesmo.

Treze disse...

João,

a mim cada vez mais parece que as pessoas estão aborrecidas, que procuram algo com que se chatearem. É estranho o caminho que está a levar.

João Cacelas disse...

Ao fim ao cabo é tudo uma "maçada".

Treze disse...

João,

basicamente é isso... :s