Não sei se isto é legal ou não, mas vou arriscar na mesma, vale a pena.

Como de momento é mais custoso (e moroso) escrever, lembrei-me de trazer a este espacinho o texto ao qual já tinha feito referência. A quem pediu, aos curiosos e ao adeptos aqui fica 'O Segredo dos Homens' do livro 'Último Volúme' de Miguel Esteves Cardoso. Simplesmente delicioso (o texto, não o MEC):

«Os homens são todos iguais. É este o segredo. Apesar das mulheres serem todas diferentes. Se os homens fossem todos diferentes, as mulheres seriam felizes. E os homens odiar-se-iam, como as mulheres se odeiam. E seriam ainda mais infelizes que as mulhe­res. porque são menos espertos.
Os homens são brutos e insensíveis. Matam mais criancinhas, portam-se pior à mesa, cospem e coçam-se mais. Os homens — e sobretudo os homens que gostam de mulheres — são menos inteligentes, menos delicados e menos civilizados que as mulheres. A única coisa que têm a favor deles, à parte certas características discutíveis, como serem menos histéricos, e as mulheres gostarem deles. Porque é que as mulheres gostam dos homens? Como fufa que sou nunca percebi.
Eu gostaria de viver num mundo constituído exclusivamente por mulheres. Queria que as mulheres governassem, dessem ordens aos homens, mandassem, impusessem a sensibilidade delas aos problemas do mundo. Não haveria tantos desmandos nem tantas guerras. As artes floresceram. As mulheres têm mais juízo. Os homens são sonhadores e malucos. As mulheres são Benazhir Bhutto. Os homens são Saddam Hussein.
Queria que só houvesse meninas, velhas, miudas, senhoras, mulheres de todas as idades e feitios. O Paraíso seria um enorme colégio de raparigas. Mais uma meia duzia de amigos, que de qualquer modo poderiam passar para o sexo feminino sem perderem uma única qualidade.

É mais fácil ser homem, porque se é mais respeitado, menos incomodado, e de qualquer forma mais forte e maior. As nossas mães gostam mais de nós. Podemos entrar em mais lugares, a mais altas horas da noite, beber mais copos e fazer mais estragos e asneiras, que somos mais compreendidos e perdoados. É injusto, mas é mesmo assim.
É este o segredo. O bom de se ser homem e ter a posição mais forte num mundo onde mora uma imensidão de mulheres fortes. É sorte nascer-se menino. É mais diffcil ser-se menina. Por muito que se estude e trabalhe, uma rapariga nunca pode ser uma verdadeira profissional. Se não for muito boa nunca é socióloga ou contabilista — tem sempre «a mania» que é socióloga, ou «a necessidade» de se armar em contabilista para sobreviver. Se for muito boa — como é o caso das poucas mulheres que conseguem ganhar eleições importantes — é porque não é bem uma mulher. É mais um homem. É o fenomeno Thatcher/Pintasilgo.
O feminismo esta fora de moda, mas nunca teve tanto cabimento. O único defeito do feminismo foi culpar os homens. As mulheres é que são as príncipais responsáveis. Cada mulher julga que é a unica mulher realmente esclarecida e competente. O resto, fora uma ou outra amiga, é so galinhas.
Um homem nunca diz tão mal das mulheres como uma mulher. Um homem tern medo das mulheres. Corre atrás delas quando elas não o querem para nada e foge delas caso alguma delas o queira. Mas aprendeu a respeitar as mulheres. Isto é, a não compreendê-las e a levar no coco. Repetidamente.
Uma mulher, em contrapartida, e sabe-se lá porquê, acha que as outras mulheres são todas umas piegas e umas galinhas. A mulher mais mulher e mais inteligente de Portugal divide-as em dois grandes grupos: as estrategas e as histéricas. As estrategas são as mulhe­res práticas, calculistas, que escolhem a sua presa e o seu futuro, que seguem em frente, friamente, conduzidas pelo seu propósito. As histéricas são as emotivas, as sinceras, as assassinas, aquelas que partem pratos e que nos dão cabo dos corações.
De qualquer modo, são as mulheres que menosprezam as outras mulheres. Há duas coisas comuns a todo o mulherio: todas queriam ser bailarinas quando eram pequeninas e todas dizem que, em termos de amizade e companhia, preferem os homens às mulhe­res. Os homens ainda são mais simples.
Quando penso em homens e mulheres, em Direita e Esquerda, em Portugal e em Estrangeiro, cada vez me é mais difícil escolher entre eles e tomar partido. Cada vez me convenço mais que uns e outros são igualmente maus. Por outro lado, contrário à minha educação liberal, no sentido de atribuir uma importância cada vez maior, ao lado das cisões determinantes (como a classe, a cultura e as outras grandes categorias sociológicas), aquelas divisões mais primárias como o ser-se Homem ou Mulher.
Numa frase: nunca percebi porque é que são os homens que estão no poder. Agora já percebi. Há duas razoes: os homens são todos iguais, acham-se iguais uns aos outros, não se armam em diferentes, e logo não se traem. As mulheres, sim. Acham-se diferentes, concorrentes, e logo traem-se. Os homens amigos não dizem mal uns dos outros.
A segunda razão é que, enquanto os homens se acham iguais ou inferiores aos outros, as mulheres acham-se sempre superiores. Logo: os homens estão unidos, as mulheres estão divididas. E como quem se une faz a força...
Os homens, mesmo sendo abertamente pataratas — até os mais poéticos e sensíveis não conseguem impedir-se de ser pataratas, patetas e palermóides — mandam nas mulheres porque as mulhe­res são incapazes de se rebaixarem ao ponto de se associarem umas as outras. As mulheres, que são individualmente magníficas, são colectivamente inexistentes.
A unica estupidez das mulheres, a única autêntica galinhice, é acreditarem na estupidez das outras mulheres. Os homens são como aqueles broncos, brutos, que se juntam, que cerram fileiras, que militam ombro a ombro, proletários à moda Eisenstein, e assim ganham batalhas contra as mulheres, inteligentes, civilizadas, supe­riores mas separadas.
Os homens são todos iguais, até na maneira de gostarem das mulheres. É a nossa única superioridade. Um homem, quando ama uma mulher adora-a. Uma mulher, quando ama um homem, aceita-o.

Um homem vê todas as mulheres na mulher que ama. A mulher esquece os outros homens. Um homem ama e respeita uma só mulher. Uma mulher limita-se a amar só um.
As mulheres precisam de organizar-se. Precisam de aprender a apreciar-se. Precisam de amigas. Precisam de ir almoçar com elas, despachar garrafas de vinho branco, confiarem umas nas outras, empifar-se. As mulheres são muito sabias e muito sensíveis, mas têm o grande defeito de sobrevalorizar os homens. Mulheres de Portugal — convençam-se de uma vez por todas. Nós os homens podemos ter mais graça, mas somos muito piores, muito mais rascas, muito mais ignorantes, muito mais básicos; no fundo muitomenos homens do que vocês. Vejam lá isso. E, se não virem, tanto melhor.»



PS: Este texto é uma digitalização. Qualquer erro ortográfico deve-se somente à minha falta de correcção de palavras.

15 comentários:

de Marte disse...

13,
isto tem muito a ver com o texto que escrevi no outro dia e que bateu recordes de audiência no meu blog! :) aquilo é q foi polémica.
de um modo geral, e cortando a parte da galhofa que caracteriza o MEC e a maneira expositiva de escrever, é basicamente verdade o que aqui é (d)escrito.

Adorei ler este texto.

Beijinhos

johnny disse...

Grande MEC... e 13.

Obrigado.

Pronúncia disse...

MEC no seu melhor.

Adoro este homem... é muito "à frente", e não é de agora. Comecei por ler a primeira compilação que ele fez das crónicas que escrevia "A Causa das Coisas", para textos com 20 anos estão bastantes actuais. Não me canso de o ler :)

Pelos vistos somos os dois fans do MEC ;)

13 disse...

de Marte,

e tu infelizmente "faltaste" à troca de "galhardetes" nos textos que serviram para evocar este texto :)

Beijo.

13 disse...

Johnny,

Grande MEC, sim senhor. Já eu, não sei porquê :)

De nada (demorou mas foi).

13 disse...

Pronúncia,

pois eu não sou fã há tanto tempo como tu. Por mais incrível que pareça só tomei contacto com os livros dele há uns 3 anos. Mas bastou-me o primeiro (O Amor é Fodido, creio) para ficar apanhado :)

Por vezes dou comigo a rir sozinho nos transportes à conta dele. É sintomático :)

Gingerbread Girl disse...

Tenho me meter baixa para arranjar tempo para ler este texto. =|

Moyle disse...

Quando andei no secundário tive uma disciplina de Oficina de Expressão Dramática e o nosso projecto de fim de ano (entre outros que fizemos) foi a dramatização de uns textos do MEC sobre este assunto, mais ou menos. O texto é muito bom e teve o condão de me relembrar.

13 disse...

Ginger,

olha que foi a pensar em ti (a teu pedido) que coloquei o texto. Vê lá se metes baixa o mais depressa possivel :)

13 disse...

Moyle,

já começo a perceber de onde vem a capacidade de escrita...

LBJ disse...

IA dizer grande MEC mas cheguei tarde... Mas que se lixe digo na mesma grande MEC :)

Abraço (com cuidado)

13 disse...

LBJ,

brindemos :)

Abraço.

Pulha Garcia disse...

Gosto imenso do MEC e até já postei um excerto deste texto lá no tasco.

13 disse...

Pulha,

eu sei :) Lembras-te da referência que te fiz na altura? Acerca de um sacana? Era por isso. Eu li o tal texto na altura e reconheci-o

Dakota disse...

Não concordo nada com o MEC (logo com a maioria dos comentadores do teu tasco sobre este post) :)

A verdade é que acho que é muito mais difícil ser homem do que mulher. A sério.

O MEC que não venha para aqui arrotar postas de pescada porque o que ele está a pedir é: tenham pena de mim. sou um menino da mamã.

(bora lá apedrejar a Dakota)

PS: sim, sou mulher.

Sabes o que é que este texto do MEC me faz lembrar: uma merda de um texto que recebi por mail (uma dessas paneleirices de email em cadeia). O texto falava (aliás, acho que até tinha slides - foda-se! - nas diferenças que há na hora de ir para a cama de um homem e de uma mulher. Então dizia .. quando uma mulher vai para cama, ainda passa pela cozinha para preparar os lanches dos filhos, vai pôr uma máquina de roupa a levar e péu péu péu péu. O homem quando vai para a cama, levanta-se do sofá e vai. As minhas amigas mandavam-me aquilo 'com muito orgulho'. Mandei-as foder (pronto, subtilmente) todas. Mas que merda era aquilo? Queixarem-se de uma coisa de que elas próprias eram culpadas?! Foda-se!
O comentário vai longo, não vai?
Não, porque já acabou. :)