E se eu definhasse hoje?

Não, não é nenhum qualquer desejo de morrer, desaparecer, bater a bota, conhecer o Criador ou o que quer que pareça.
Fui ao cinema a semana passada ver um filme que estreou recentemente e que não esperava que fosse estrondoso e que era com o meu actor preferido mas nunca me passou pela cabeça que a história fosse tão desprovida de conteúdo, em que se safaram - e bem - os efeitos especiais, e que fui ver tão somente com a pretensão de matar o "bichinho" do cinema visto que há muito não ia, mas antes disso passou o trailer do filme (penso) "2012" em que retrata o fim do mundo ou o fim do mundo tal como o conhecemos.

Se não sabem do que falo, pesquisem, pois é precisamente isso que eles sugerem no trailer.

E com isto lembrei-me que tinha chegado até mim a informação que por altura do surto dos suínos engripados, em caso de catástrofe, havendo quantidade suficiente de vacinação para parte da população de Portugal, haveria um escrutínio quanto a quem seria priorizada tal "salvação".

Dava-se a conhecer então que o primeiro seria o Presidente da República, depois o Presidente da Assembleia, o Primeiro-Ministro e por aí adiante, passando pelos presidentes-executivos das principais empresas e por aí fora até ao primeiro azarado que lhe calhasse não haver dose e daí para a frente - ou para baixo, mediante a perspectiva - era como jogar à roleta-russa.

Quanto a mim, seria trágico, sem dúvida. Muita coisa tenho para cumprir, muitos sonhos alimentados à espera de concretização e por certo tantos outros que seguramente aparecerão pelo caminho.

Mas não é para falar de mim (pois sim...) que escrevo isto.
Pergunto, como é que se determina quem deve/deveria ser "salvo"? O que é que faz de determinadas personalidades mais importantes que um "vulgar" cidadão?
Só porque foi eleito?
Só porque foi nomeado?
Só porque conhece o tio do primo do cunhado do namorado da melhor amiga de um ministro qualquer?
Porque sabe o significado de trás para a frente e vice-versa da palmadinha nas costas ou da mão que lava a outra ou de tacho?
O que são eles, como pessoas e contribuintes para a qualidade moral - principalmente - do país?

Não falo de mim, porque pouco ou nada tenho a acrescentar de muito diferente, mas não posso dizer o mesmo de certos autores de blogues que sigo. Vocês sabem quem são.
Duvido que um Sócas ou um cão de guarda qualquer ou muitos dos senhores que se pavoneiam por aí tenham mais valor que gente que escreve tão bem.

E se não falo dos que me são próximos é porque estes não são "públicos" mas a verdade é que tenho à minha volta pessoas de um nível estupendo e não são em nada inferiores ao já comparados.

Se houvesse que priorizar alguém, na minha (nada tida em conta para nada) opinião, nunca seriam as pessoas que deixaram isto arrastar-se ao ponto imoral a que chegámos.
Mas isto sou eu a pensar...

PS: Vi um bocadinho da audiência ao Vitor Constâncio. Enquanto um deputado ia argumentando, só se ouvia tosse, aclarar de garganta e suspiros por parte do responsável máximo do Banco de Portugal, já para não falar na postura deste, do desprezo e da atitude de gozo bem visível. Sempre pensei que personalidades destas mostrassem outro nível, mas afinal são todos iguais. Já agora, para quando a demissão?

2 comentários:

João Cacelas disse...

Meu caro, a questão do Vítor Constâncio não me surpreende nem um pouco porque, parafraseando um antigo vizinho meu: "isto é só merda, eles só querem é lá estar no poleiro e os outros que se lixem". E quando assim é...

Treze disse...

Meu caro João, este espaço tem-se ressentido da sua "ausência". Bem haja! :)

Quanto ao Vitor, confesso que é preciso muito para me chatear seriamente, mas vê-lo com aquela postura, aqueles "tiques" estava a deixar-me realmente incomodado.

E sim, já só mesmo pelo poleiro, mas é um rico poleiro...