PORTUGAL PROFUNDO, ou o porquê do Porquê..

Por mais que bata com a cabeça nas paredes para ver se entra alguma coisa, para ver se achocalhando a massa encefálica percebo.
Por mais que questione, por mais que pretenda entender, por mais voltas que dê não entendo.
Cabeça dura, ingenuidade ou simples burrice?

Como é possivel uma pessoa, que falta ao trabalho sucessivamente aos 3 e 4 dias consecutivos - intervalando com 1 ou 2 dias para não parecer mal - sem avisar, que diz que vai e não aparece, que diz que está atrasada mas que vai trabalhar e que acaba por não ir, não ser despedida?
Como pode uma pessoa desta natureza apesar de tudo, não só não poder (dizem eles...) ser despedida, como ainda vai levar uma indemnização - típica de fim de contrato a termo certo - quando sair?

O meu chefe diz muitas vezes que há que ter humanismo. O humanismo para raio que o parta!

É estranho como é possivel estas pessoas não poderem ser despedidas. Como podem andar a abandalhar tanto.

O sistema em que vivemos é simplesmente vergonhoso!
E deixemo-nos de rodeios e falsos moralismos, é por conta de gente desta - os que lideram e têm responsabilidades sobre os seus - que estamos atolados em lama - ou no caso, areia movediça.
Pessoas que supostamente deveriam fazer a diferença são as primeiras a sacudir a água do capote e a mostrarem como é fácil desistir.

É por conta de gente que se "balda" (e vocês sabem o que significa isto) e por gente que "trabalha" para poder ter direito ao subsídio de desemprego que estamos na situação em que estamos. É esta gente que nos anda a chular.

Tudo isto só me afecta por dois motivos.
O primeiro porque adoro o país em que vivo e não o trocaria - o espaço físico, não a situação - por nenhum outro e o vejo na direcção que está a tomar.
O segundo porque já percebi que falar não leva a lado algum - embora seja libertador, e muito! - a não ser que estejamos acompanhados nessa "luta", coisa que não acontece...

Ninguém é exigente. Desde que as coisas se façam, tudo fica bem.
Não importa se estão uma valente porcaria (ou uma palavra de cinco letras que começa com 'm' e acaba em 'a'), não lhes interessa se as coisas devem ser bem feitas, o melhor possivel - e é aqui que entra a minha percepção e noção do bom e do mau - mas sim que se despache para irmos todos para casa.
É ridículo andar eu a corrigir e (construtivamente) criticar constantemente pessoas que estão acima de mim.

É por isso que sou defensor da avaliação de desempenho, tal como na escola.
É subjectivo?
Sem dúvida que sim. E que seria perigoso também. Mas a intenção é mostrar um princípio e não oferecer uma mudança radical.
Se as coisas fossem bem feitas, com maior ou menor hipocrisía profissional, havia de se resolver e melhorar. Acredito!

As pessoas esquecem-se que ao trabalharem para um bem comum - para quem lhes paga, no fundo - estão a trabalhar para si próprias. E enquanto não acordarem e continuarem a ser umas mimadas de primeira pior será e mais dificil será de dar a volta, se é que ainda é possivel. Há que mudar as mentalidades e depressa!

Ao olhar para o que se passa ali - e atenção que há excelentes excepções que infelizmente sem lideres fortes e com carácter e personalidade nada podem fazer - e vejo que "cada umbigo pensa no seu umbigo" (comentário do forteifeio), desespero ao questionar se isto é assim noutros sítios... E que vamos bater num ponto sem retorno, em que no fim, os que dão o litro entrarão no mesmo saco dos que nada fizeram.

É por isto que penso que vamos bater no fundo (quero acreditar que ainda não lá chegámos), ou como disse a Pronúncia, já lá batemos e já estamos a escavar para lá disso.

Quanto a mim? Está na altura de dar o salto. Espero que para breve.

Nota: Este texto é opinião de alguém que não se acha melhor que ninguém e que vê em cada dia que passa uma oportunidade para analisar o seu desempenho e uma oportunidade para fazer sempre mais e melhor. E que digam o que disserem, estará lá sempre a fazer figura de "otário" quando assim for necessário. Um dia posso lixar-me, mas deixarei umas quantas consciências pesadas pelo caminho.

7 comentários:

LBJ disse...

Mudar as mentalidades, neste jardim à beira mar plantado, irá precisar de algumas gerações e infelizmente, acho que já não temos tempo para isso...

Gingerbread Girl disse...

Tens toda a razão no que dizes... mas não estou a ver como mudar as mentalidades... sinceramente. Nunca iremos ser daqueles países super produtivos. Neste país vai sempre imperar a lei do engonha. :s

Treze disse...

LBJ e Ginger:

Mudar de mentalidades colocando as pessoas certas - corajosas, com carácter e personalidade de liderança - nos lugares próprios. E para tal é necessário coragem e consciência do bom e do mau.

Tenho que acreditar (não tenho outro remédio)!

Moyle disse...

esse sentimento é generalizado, sabes, e o que me surpreende, ainda, é como não se faz nada para mudar. de qualquer maneira, acho que as pessoas estão habituadas e todos os escravos temem a liberdade que desejam.

Treze disse...

Moyle:

O que eu vejo é que as pessoas são comodistas. Enquanto o ordenado bater na continha ao fim do mês tudo está bem...

Moyle disse...

precisamente... mais do que qualquer outra coisa, os portugueses gostam de ter algo de que se queixar, daí não mudarem. por outro lado, somos um país muito antigo, sem fracturas internas, contínuo culturalmente, o que faz de nós mais sábios que culturas mais recentes. as coisas mudam, nada dura para sempre e os portugueses sabem isso muito bem, demasiado bem, se calhar, daí não se mexerem muito.

Treze disse...

Moyle:

Até que a bolha rebenta e não se sabe bem o que fazer com os restos. E o pior disso é que quem ainda permite que a "bolha" não rebente - através da competência e da dedicação - estará no mesmo saco que os outros que nada fizeram..