Que futuro?

Acabei de ler uma reportagem sobre a genética e o seu futuro. Interessante. E não só...

É sabido que tudo na vida tem o seu lado bom e o seu lado, digamos, perverso.

Se por um lado há muitas doenças que podem ser tratadas ou "curadas" sem afectar minimamente a pessoa em causa e não só conceder aos familiares uma vida mais tranquila (não direi gratificante) como à própria que terá uma integração dita normal e oportunidades igualitárias perante a vida.

Mas por outro lado esbarra-se na possibilidade (e probabilidade) de o Homem assumir, uma vez mais, o papel de Deus.
Lia precisamente na parte final da peça a possibilidade de no futuro ser possivel a genética poder controlar os aspectos comportamentais, tendo como um dos expoentes máximos, a manipulação do gene da inteligência. E aqui já volto.

Fala-se sobre a possibilidade de um dia ser possivel impedir, por exemplo a esquizofrenia ou a homossexualidade.
Quanto à esquizofrenia, assim como tantas doenças que são degenerativas, creio que é um aspecto bem positivo ser possivel a tal manipulação.
Quanto à homossexualidade - e eu acredito que é uma questão genética na sua maioria - é que já me faz alguma "comichão". Mesmo sendo vista como uma anomalia genética, a verdade é que não se trata de nenhum comportamento desviante nem sequer creio ser uma anormalidade (sim, aparentemente estou a contradizer-me) impeditiva socialmente falando. E aqui já entra a "ditadura" perante, de certa forma, a liberdade de "escolha".

Serão os homossexuais mais infelizes só por verem nas pessoas do mesmo sexo o seu ideal? Tirando os direitos que sentem ser também seus e que ainda não alcançaram, serão seres diferentes dos ditos "normais"? Terão menos capacidades naturais por causa disso? Não creio.

Voltando à manipulação do gene da inteligência. A pergunta que fiz enquanto seguia palavra por palavra sobre essa possivel futura possibilidade foi precisamente (por outras palavras) a que o autor faz: "E se a ciência usar o que sabe para criar uma Humanidade perfeita?"

E a isto já lhe chamo algo de extremamente pernicioso. Porque vai acontecer, sem margem para dúvidas. Porque ninguém vai querer ser menos que o próximo...
E como será? O que faremos? O que seremos?

Um futuro, no mínimo, estéril a meu ver. E bem menos belo...

8 comentários:

Gingerbread Girl disse...

Muito me contas tu... =|

Isso não podem passar de suposições e probabilidades que esperemos, não vão dar em nada.

O que seria de um mundo com 6 biliões de seres humanos com 150 de Q.I. ?? O caos... simplesmente. A sociedade está mais ou menos estratificada segundo as capacidades pessoais de cada um (pelo menos assim deveria ser)...
Imaginemos que começam a "produzir" seres humanos apenas de elevada inteligência superior... alguma dessas pessoas quereria ser por ex. sapateiro, pasteleiro, pedreiro, peixeiro, lavrador, cozinheiro... and yada yada yada...?? acho que percebeste onde quero chegar... não quero dizer com isto que este género de profissões sejam executadas por pessoas intelectualmente inferiores... mas não estou a ver "génios" a amassar pão ou a amanhar peixe.

Quanto à homossexualidade... não tenho absolutamente nada contra. Se é genético ou uma escolha, eu ainda não sei... o que causa estranheza na homossexualidade, é que a na Natureza TUDO é a respeito de dualidade. Um equilíbrio perfeito entre o masculino e o feminino. Na homossexualidade esse equilíbrio não existe.
Tendo todos nós, seres humanos, geneticamente gravado em nós a continuação da espécie... daí procriarmos... olha-se para um casal homossexual como um casal estéril, de onde jamais surgirá vida.
De qualquer das formas... tirando esse "pequeno" pormenor, são pessoas iguais a todos nós. Igualmente felizes, igualmente tristes... pessoas PLENAS.


kiss*


p.s. As tuas good vibes só chegaram no sábado ao final da tardinha. Pior seria se não tivessem chegado de todo. :p

Princesa (des)Encantada disse...

O comentário da Gingerbread Girl é muito completo e concordo essencialmente.

A questão é que a beleza da humanidade está nas cambiantes dos seres humanos que a compõem, e são as diferenças que permitem que as várias peças que somos possam construir alguma coisa. Se todos tivermos um QI de 170, seremos todos medianos. Seria um mundo muito cinzento, sem graça.

A genética pode e deve ser usada para curar doenças, sim, mas não para manipular as características diferenciadoras dos seres humanos enquanto seres individuas e únicos, seja na criatividade, na inteligência, na sensibilidade a coisas diferentes, ou nas preferências sexuais. Isso não seria criar um "mundo perfeito".

Treze disse...

Ginger:

Era precisamente a isso que me referia, embora não querendo estender-me tanto por receio que não lessem :). Daí achar a possibilidade muito perigosa, precisamente porque cada um tem o seu lugar.
Suposições por agora. Mas pelo que se assistiu na evolução dos tempos, dificilmente tal não acontecerá...

Quanto à homossexualidade, tirando o "pequeno" pormenor, quem somos nós para definirmos a felicidade de outrem?

PS: Resultado positivo, presumo :)

Treze disse...

Princesa:

Exactamente, não cria, bem pelo contrário, torna-o sem cor, sem sabor. Retira-lhe a piada, a luta. Retira-lhe o sentimento e a diferenciação.

Tu deixarias de ser interessante como és visto que, por exemplo, a Ginger seria semelhante (com pequeníssimas e praticamente indistintas diferenças, talvez), o que vos retiraria não só a personalidade como a piada dessa mesma diferenciação.

de Marte disse...

E novas nuances surgiriam, acredita. Creio que a Natureza acharia uma maneira de nos mostrar que esta via n era a correcta.
Como nos cruzamentos endogâmicos ou quando se "apura" uma raça (p.e. nos cães).
Simplesmente chega a uma altura em que a "perfeição" já foi atingida e o elo continua na "aberração", na criação de algo mais pernicioso do que a "desvantagem" inicial que se queria esbater.

Treze disse...

Marte:

Bem-vinda :)

O problema é que a Natureza já nada tem a opor à natureza humana. Aliás, há muito que não o dita.

Se continuará a haver aberrações? Talvez. Mas a partir daí pouca ou nenhuma liberdade de escolha haverá (supondo que isto irá para a frente), até porque como dizes, "o elo continua na aberração, na criação de (...)", ou seja, como é apanágio de quem pode e manda, não mais as coisas cessarão de mudar... Por via da mão humana.
Cura de doenças sim, perda do livre arbítrio é que não (se bem que hoje em dia as pessoas já são, e muito, manipuladas subtilmente).

Pronúncia disse...

Boas perguntas!

mas isto é como tudo, tens sempre os dois lados da questão. Um que pode ser usado para o bem da Humanidade o outro para o mal... a ética tem sempre a última palavra!

O problema é quando há falta de ética! E aí sim poderá haver os loucos a tentarem uniformizar tudo... lá se iria metade da piada que isto vai tendo ;)

Espero é que a Natureza se encarregue de alterar os planos desses malucos :)

Treze disse...

Pronúncia:

Pois, a ética... Isso existe?
Foi como respondi à de Marte, a Natureza já pouco faz por nós...