PORTUGAL PROFUNDO, ou o cúmulo do chico-espertismo

Não há nada como o falecimento da avó da esposa para “espetar” mais 2 dias (supostamente aos quais tem direito) às suas férias...

Bem, na realidade acrescentou 1 dia às férias, visto que o primeiro dia foi para ir ao funeral, não tendo gozado o segundo de seguida por falta de pessoal na altura (ainda assim não por iniciativa dele).
Esse dia, como tanto “chorou” ao qual tinha direito, foi usufruído mais tarde aquando das férias.

Isto até pode parecer insensível da minha parte. A senhora faleceu, há sentimentos à solta, não se pode viver só virado para o trabalho, que por sua vez não é nem pode ser mais importante que a família. Supostamente... Pois, mas não é insensível da minha parte.

Para quem ainda acha normal ter direito aos 2 dias (o 2º dia já foi duas semanas depois) e não vê mal nenhum nisto, deixo a preciosa informação extra de que o meu caro colega não só não conhecia a senhora como a família da esposa (ou seja a neta, a mãe e o pai desta (e filho da falecida) mais os irmãos) não tinha qualquer contacto com a senhora.

E isto, meus caros, é só a ponta deste icebergue plantado à beira-mar... Porque isto não acontece só ali.

E não é só o aproveitamento de uma morte.
É a dor de barriga. É um mal-estar só por que faz chuva ou faz ("demasiado") sol. É a cama que está quentinha. É a unha do dedo grande do pé que incomoda. É porque sim, e porque não. É porque o filho está com febre ou lhe doi a barriga ou porque - e podem ler ali detrás até chegar a este passo e repetir infinitamente...

Claro que tudo isto se resume a um "acredite que se eu não estivesse tão mal ia trabalhar mesmo!" e não aos motivos acima referidos (excepto a do filho - que, desculpem-me certas mães e certos pais que leiam isto, são em muitos casos aproveitados para isto).

E mais evidente ainda é que quem tem realmente problemas (e que muitas vezes ainda assim não falta) tem direito ao livre trânsito para ser ensacado no mesmo saco que esta gente.

Tanta gente que se sacrifica, que dá o "litro", que não reclama, que não impõe, que não desrespeita, que come e cala, que luta sem contrapartidas (para além do recibo ao fim do mês), sem reconhecimento, e que ainda assim não desiste... Pois, é tudo uma questão de equilibrio unversal, eu sei.
É o mundo do avesso...

Quanto ao colega e à atitude em questão, se se perguntam onde está o meu chefe no meio disto tudo, a minha resposta é que também eu questiono acerca disso.

PS1: Na realidade não importa muito como obtive esta informação, mas posso assegurar-vos que tanto esta como a grande maioria (para não dizer todos) dos assuntos me vêm ter aos ouvidos sem mexer eu uma palha sequer.
PS2: Confessem lá que já tinham saudades do "revoltado"...

8 comentários:

forteifeio disse...

O teu chefe ou é amigo ou tem rabos de palha ou então gosta tanto de trabalhar como o outro

Gingerbread Girl disse...

Se calhar ele tirou o 2º dia para ir levar flores ao cemitério... =|

Pronúncia disse...

Isso não é gozar direitos... isso já é abuso!... :(

LBJ disse...

Sabes que a essa licença se dá o nome de licença de nojo, muito apropriado neste caso...

Treze disse...

forte:

Andas lá perto... É o típico deixa andar, o "não vale a pena", por aí fora...

Treze disse...

Ginger:

Foi, foi...

Treze disse...

Pronúncia:

Isso é, acima de tudo, gozar com os colegas...

Treze disse...

LBJ:

Pois, obrigado pela informação, pelo menos agora já sei que nome lhe aplicar... É triste.