(Saudosista) E o meu desejo é...

Costuma dizer-se que o estado mais puro da essência humana é na infância.
É quando existe a tal ingenuidade pura, de sinceridade inocente, em que não há a distinção do bem e do mal, apenas a verdade. A perspicácia eloquente, que tanta admiração reúne e tanto espanto é capaz de provocar.

À medida que vamos crescendo, vamos tendo noção da quanta capacidade temos para afectar tudo quanto nos rodeia, todos quantos contam connosco.
À medida que vamos crescendo vamos perdendo a inocência, dando lugar ao medo, à inveja, ao egoísmo e ao salve-se quem puder.
Vamos querendo mais e exigindo mais, esquecendo quem somos, quem fomos, esquecendo ou mesmo perdendo a criança que reside ou residiu em todos nós.

Somos instintivamente animais. Será?
Ou será que fomos adquirindo tal estatuto?

Nascemos da junção de dois seres humanos, em plena comunhão amorosa. Crescemos dentro de um ser humano repleto de amor e, como tal recuso-me a acreditar que somos menos que isso, um todo de amor. De bondade. De beleza.
É triste ver do quanto abdicamos ao longo do crescimento.

Pois hoje retornei à minha condição mais pura, a de criança (ainda mais). Hoje voltei a ter 6 anos, voltei a ver o pequeno R, quando nada sabia da vida, que pouca consciência tinha do seu mundo.
Voltei à sala de estar cheia de amigos, voltei a vê-los todos, voltei a ver chorar e a vê-lo chorar também.
Voltei a vê-lo sorrir.

Ao ver o filme hoje, não só me apercebi que não me lembrava dos valores implíctos, como só agora, passado tanto tempo, vejo a qualidade dos mesmos e, embora soubesse a cada minuto que o essencial passou a mil à hora do consciente, senti que o inconsciente não dormiu.

O que se perdeu pelo caminho foi a forma como enfrentei o percurso que "escolhi".
Há sempre volta a dar, é só desejar correctamente e viver em total cumplicidade com os valores que me são inerentes e me estão incrustados. O resto virá?

Seja rídiculo ou não - não o é na minha perspectiva -, o filme que me levou a escrever isto tudo é este:



Que saudosismo.
É incrivel como é que passado tantos anos ainda me lembrava de tudo enquanto o ia visionando.
Continua nos 5 filmes que mais me marcaram até hoje (e já vi bastantes). Terá sido o inconsciente?

Sem medo, penso-o com todos os meus sentimentos, afirmo-o com todas as palavras, e - permitam-me - redijo-o com (quase) todos os meus dedos:
- Dantes é que era!

Continua a ser uma referência, um daqueles a não deixar cair no esquecimento do tempo.

15 comentários:

ipsis verbis disse...

Filme lindo.

disse...

Sabes que nós, desaprendemos muita coisa, consoante vamos crescendo.

Moyle disse...

quando vi "never ending story" pareceu-me familiar mas desconfiei pois podia tratar-se de condicionamento mental por causa do processo Casa Pia. enfim, entretanto lembrei-me do que realmente se tratava e pronto, tenho que ir arranjar o filme para rever.

Treze disse...

ipsis verbis,

apercebi-me disso ontem :)

Treze disse...

Bê,

bem-vinda aqui ao espaço :)


Infelizmente sim, vamos perdendo (demasiadas) coisas pelo caminho.

Treze disse...

Moyle,

desta vez foi mesmo a sério, sem mensagens subliminares :)

Arranja, mas não esperes efeitos à Harry Potter...

forteifeio disse...

Espectáculo esse filme, com uma música do limahl, um bom post.
Ainda não te disse mas gosto do teu blogue.

Pronúncia disse...

"Nevre ending story", já nem me lembrava deste filme. Gostei.

Treze, se me permites, não sejas tão saudosista e não digas "antes é que era".

É bom ter saudades do "dantes", é bom recordar bons momentos, mas o passado passou, acabou e nada o pode alterar. Vive o hoje que é presente e prepara o melhor possível o amanhã.

Em 24horas é a segunda vez que escrevo algo idêntico em comentários...

Moyle disse...

ah não, claro que não. é para rever que já lá vão muitos anos...

Treze disse...

forteifeio,

obrigado pelo elogio, embora tenha que pensar que já estás com 2 directas em cima e não tenhas visto bem o blogue :)

Treze disse...

Pronúncia,

é uma forma de dizer :) Referia-me principalmente ao conteúdo do filme e a mensagem que tentavam passar aos miudos.

Pronúncia disse...

Ufa! Estou bem mais descansada... ;)

Gingerbread Girl disse...

Acreditas que nunca vi este filme?!? =|

Se bem que me lembro da febre que ele gerou... e claro a OST.


E sabes... eu antes achava que as crianças eram genuinamente boas e inocentes... mas agora depois de ter lidado tão intimamente com algumas, cheguei à conclusão de que conseguem ser terrivelmente cruéis e maldosas... mas a uma escala diferente de nós, adultos.

Mas ser criança é de facto um estado mágico... e é oena durar tão pouco tempo. ;)



kiss*

Treze disse...

Ginger,

aconselho-te a ver, não tendo grandes expectativas.

Os miúdos são mal acompanhados hoje em dia. Não é o "dantes é que era" mas antes havia mais respeito.
Os putos de hoje acham-se (ou tentam) como adultos e por vezes merecem umas boas chapadas à moda antiga.
Quem é que falava mal de um professor ou apresentava queixa por umas reguadas? Hoje é o oposto...

Gingerbread Girl disse...

Acho que não tem muito a ver com "acompanhamento"... há mesmo algo de maldoso neles... =|


Children freak ME OUT!!! :s