Quem escreve está sozinho ou mal com a vida?

Já não é a primeira vez que vejo isto dito, escrito ou pensado.

Esta questão começou aqui e desde aí não mais parou de martelar no meu (pequeno) cérebro.

Eu definitivamente não escrevo acompanhado pela solidão - embora sendo essa uma condição inerente nossa (e recomendo este texto porque para repetir palavras o melhor é ficar pelo original e por quem sabe escrever e expressar-se) - pois sei o que me levou a arrancar com este espaço e o que me traz de volta umas quantas vezes por dia.

Embora inspirado por alguém que não conheço, o motivo foi só um. Foi por estar distante (fisicamente) de determinadas pessoas e assim ser uma forma de mostrar por onde ando.

Mal estaria este mundo se todos escrevessem por estarem sós ou mal com a vida.
À medida que vou explorando ligações, vou tendo a noção que estas pessoas são tudo menos solitárias.
Claro que, como está acima referido, sentiremos sempre, mais tarde ou mais cedo, a sós ou acompanhados, esse sentimento de solidão, de vazio, de falta de algo. É natural.

Vejo textos por aí fora que não teriam outra utilização que não na blogosfera.
De que serve escrever se não para mostrar a escrita? Claro que todos temos os nossos amigos, familiares e afins a quem "recorrer", mas mal estariamos se nos restringissemos ao espaço fisico do local onde vivemos e/ou trabalhamos.
Porque haveria eu de me confinar à minha finita realidade quando há por aí tanta opinião (gente) interessante e que sem dúvida alguma me acrescentam algo mais?

Sejam parvoíces ou disparates bem elaborados, com humor ou mais sérios, sejam textos escritos por amor ou desamor, sejam opiniões das mais variadas espécies, a realidade é que há muita gente a escrever de uma forma fantástica que me agrada e me faz voltar e, em caso disso, comentar.

Estive nos Estados Unidos em que convivi com pessoas de outros países e as quais me transmitiram perspectivas totalmente diferentes e as quais seriam impossiveis conhecer se me relegasse à minha condição do dia-a-dia.

Estes espaços são essencialmente o mesmo. Seria impossivel numa situação normal, vir a "conhecer" determinadas pessoas e deparar com as mais diversas opiniões. E em certo sentido, acaba por se conhecer melhor quem está do lado de lá.

O que o que começou por brincadeira e por conexão, acabou por me levar a sítios de grande valor.

Não é quem escreve que está só nem está mal com a vida. Está só qualquer pessoa provida de sentimentos, de consciência de si, da sua condição e do que a rodeia. Sem haver a necessidade da existência do rótulo da depressão - que isso já é outra coisa e que facilmente se faz confusão.
Sortuda da pessoa que nunca se sentiu só.

Conclusão: Acredito que quem escreve (a maioria) o faz por gosto de partilha e não por atenção. E mais depressa acredito que mal com a vida está quem afirma que quem "tem um blogue é porque não anda bem com a vida". Mas isto sou eu a pensar...

Um aparte final. Lembrava-me de num dos comentários que fiz ao post com a questão da "solidão é coisa de quem ama", ter escrito algo acerca de quem o afirmou - "PS: Não sei quem foi mas parece-me que quem te disse isso quis filosofar..." - e passado tanto tempo não só reitero o que escrevi na altura sem conhecimento de causa como, tendo lá chegado precisamente hoje, afirmo que o que escrevi acertou em cheio no alvo.

PS: Maria, este texto era suposto fazer jus à tua escrita. Peço desculpa pela irreverência da tarefa mal cumprida.

15 comentários:

João Cacelas disse...

Já li e reli vários textos que defendem essa teoria, em que não acredito rigorosamente nada. A blogosfera é um espaço de socialização, ok, tudo bem. Mas isso não significa que quem nela entre o faça por se sentir só. Para isso também os twitters, os facebooks, hi5 são para pessoas sós. Não se trata de solidão mas de novas formas de socializar.
O meu caso é muito simples: tenho um sonho, é mais uma utopia, de vir a ser humorista ou de escrever humor (profissionalmente) e foi para isso que criei este blog. Era uma espécie de "tubo de ensaio" para ver se realmente tinha capacidades para isso. Esse sonho já se esmoreceu um pouco mas ainda assim, continuo a acreditar que um dia o possa conseguir. Foi nessa base que criei o blog, para tentar obter algum feedback, para saber se as pessoa pensam "é pá, este gajo até tem alguma piada...". E é para isso que tenho o blog. Para tentar fazer rir os outros, para me rir e vai servindo de balão de ensaio para esse objectivo que tenho. Desculpa lá se isto está confuso e extenso. ;)

Treze disse...

Não está nada confuso, João. Aliás, deste mais um motivo pelo qual se pode ter um blogue (e espero que o alcances).

E não tens que esmorecer. Não sei qual a razão para tal mas há dias e dias, textos e textos.

Enquanto andar por cá andarei por aí. Podes "contar" sempre com mais um para o jantar :)

Gingerbread Girl disse...

Antes de mais, deixem-me só dizer ao Cacelas que eu até gostava de ir dar uma espreitadela ao blog dele... mas é um bocado difícil porque ele NÃO tem perfil. :s

Quanto ao teu post, Treze, é demasiado extenso para eu poder pegar neste ou naquele aspecto. Também já li isso por aí. Que tem blog yada yada yada... A esses totózinhos eu só tenho uma coisa a dizer: "Criem um blog mazé e façam-se à vida!!"Olhaqisto...

João Cacelas disse...

Gingerbreadgirl,
por acaso até tenho perfil mas é do Sapo e como tenho que estar sempre a meter o nome, url, etc e coiso, opto por só escrever o nome. Quanto ao meu blog está ali nos "Mares Navegados" do Treze e chama-se O Hemiciclo. Peço desde já mil desculpas pela grande desilusão que vai ser quando lá entrares.

Pronúncia disse...

Treze, só hoje já li isso em três blogues. Também já me disseram isso.

Não concordo absolutamente nada com essa generalização. Acredito que haja quem tenha um blogue porque está só, ou porque está de mal com a vida. Mas também há os outros, que nem estão sós e muito menos de mal com a vida.

E agora vou falar apenas por mim. Criei o blogue para retomar a escrita, há muitos anos que o que escrevia se limitava a assuntos demasiados técnicos, que não deixam qualquer espaço nem à criatividade nem à imaginação. Por outro lado o blogue seria uma forma de poder tornar pública a minha opinião sobre determinados assuntos que de uma forma ou de outra me afectam.

Com o blogue e em especial com os comentadores, descobri que é possível trocar opiniões, piadas, discussões, com pessoas que normalmente não falariamos. Aqui as diferenças de idade, de percursos de vida e académico, geográficas, são esbatidas, o que passa a unir os comentadores é apenas o facto de terem uma opinião para dar, seja boa ou má, para o bem ou para o mal.

E digo-te mais, no meu caso, quando me sinto "menos bem com a vida" então é quando não consigo, nem tenho vontade de escrever. Por isso, se eu estivesse de mal com a vida de certeza que não tinha um blogue, porque não conseguiria escrever. De solidão também não sofro. Criei foi uma necessidade de "ouvir" opiniões diferentes das do meu habitual grupo familiar e de amigos. Mas disso só me apercebi depois do blogue criado.

Treze, desculpa lá o tamanho do comentário, mas a culpa é dos assuntos que para aqui trazes... há sempre tanto a dizer! Digo eu! ;)

João Cacelas disse...

Caro Treze, visto que não posso comentar no teu mais recente blog, tomei a liberdade de o fazer aqui. Não me leves a mal, ok?
"Apesar das fotos, como mencionas, dá para perceber a "apetitosidade" do pitéu. Só uma questão: sem coco ralado, também casa bem? Isto se já experimentaste, se não o fizeste eu faço-o. É que não sou dos maiores fans de coco."
Desculpa lá, mas é que gostava mesmo de saber a resposta à pergunta e é este é o único meio em que te posso perguntar.

Maria...ia disse...

Eu sei que tenho andado "desaparecida", mas desta feita é a vida que anda de mal comigo... não tenho tempo para nada :)
O teu texto fez jus ao que escrevi, é claro... Se o ser humano parar para pensar um pouco constata que a solidão é de quem sente. Mas corrijo-te num aspecto: feliz daquele que já se sentiu e sente só. E porquê? Porque assim se apercebe da sua verdadeira dimensão, para com os outros e no mundo :)

Não estou só, ao sê-lo.

;)

Moyle disse...

eu acho que escrever é um acto de solidão. não digo digo que se escreve por se estar só mas escreve-me só e completamente despido.
no entanto, é, ao mesmo tempo, e de forma não paradoxal, um acto de vaidade porque todos escrevem para serem lidos e, ao fazê-lo, não está propriamente a restringir-se a serem/estarem sós.

Treze disse...

Pronúncia,

o que dizes (escreves) nunca é demais.

Suspeitei que fosses uma das pessoas que o faz por gosto :)

Treze disse...

João,

claro que casa :)

Na cozinha é mesmo isso que se pretende, a experiência e a mistura (consciente, claro) dos ingredientes.

Mesmo não indo à bola com o côco se fosse a ti reservava só uma pequena porção para experimentares.

PS: Não conseguiste comentar porquê?

Treze disse...

Maria,

Sortuda no sentido de não sofrer desse "mal" (que acaba por vir por bem).
Gosto da perspectiva que deste, do que nos "obriga" a ver e a percepcionar e sem dúvida me fez aperceber o sentido que impremiste.

PS: Para quando o estudo/texto acerca dos rebanhos? :)

Treze disse...

Moyle, o acto é sem dúvida de solidão, mas tal como disseste, não o considero um estado ou uma forma que nos define.

E tal como disse, acredito que a maioria das pessoas (tu, por exemplo) escrevem mais propriamente para partilhar do que para receber. Mas posso estar enganado...

E claro que acabamos por escrever para outros mas mais depressa me apanham a escrever quando estou em alta do que nalgum estado de "meditação" ou introspecção.

Ana GG disse...

Quanto a mim, a solidão é um estado muito relativo que não se limita apenas a questões físicas. Penso que é essa a confusão que se instalou. Algumas pessoas confundem o acto de escrever (solitário)com a solidão. Um bloguer ao escrever interage quase imediatamente com outras pessoas, logo, neste caso particular, deixa de ser um acto isolado.
(reconheço que a minha opinião está confusa, mas estou com uma preguiça enorme).

Comecei o meu blogue por brincadeira, arrastada por um amigo que já tinha um. Desafiei-me a brincar com a escrita, tendo plena consciência de que não era uma "escritora". Uma vez que sou emotiva/impulsiva, achei que seria engraçado debitar desabafos, pensamentos e opiniões triviais. Comecei a ganhar o gosto e, confesso, o blogue faz-me alguma companhia mas não me acorrenta, não me retira o meu espaço.

Concordo contigo e, plenamente, com a Pronúncia, neste espaço viajamos por sítios que nos estariam vedados de outra forma, o que acaba por ser um exercício muito interessante.
Quanto à questão de que quem escreve está "de mal com a vida"...não me parece de todo. Pessoalmente fico muito mais inspirada quando estou "de bem com a vida" e acredito que assim seja com a maioria das pessoas.

P.S. Estava farta de me cruzar com o "Treze" nas caixas de comentários dos amigos blogueiros. Hoje, não resisti e vim cá meter a minha colherada. A propósito, treze é o meu número da sorte!
=)

Ana GG disse...

Ahahah
O meu comentário foi o 13!

Treze disse...

Ana,

sê bem-vinda.

O 13 no meu caso é mais outra coisa :)

PS: Eu já andei por lá, ainda que sem colheradas...