Circulo vicioso

Há uma discoteca na Praia da Rocha que está a dar 5€ às mulheres que frequentem o espaço aos Sábados. "Discoteca em Portimão dá dinheiro a clientes mulheres", lê-se.

Como se lê na reportagem, dizem estar preparados para a eventualidade (extrema) de a discoteca atingir a sua capacidade máxima para 400 pessoas. Acrescentam que esse dinheiro é dado e não é obrigação de quem o recebe de o gastar ali. Dinheiro dado não é retirado.

Isto de as mulheres darem o corpo - no caso, a presença - em troca de dinheiro leva-me de imediato para a prostituição que por sua vez me leva ao novo cartaz publicitário da Compal - goiaba - presente nas estações de metro e na rua.
Já alguém reparou no referido cartaz e na mensagem subliminar?

É parecido com a foto mas tem também a frase "Nasceu no Brasil mas já pediu a nacionalidade"

E o que tem isso a ver com a prostituição? Tem muito!
Ora que eu saiba quem pede a nacionalidade são as pessoas e não a fruta (fruta). É mais que óbvio, não? Que faz tão bem como sabe... Quero nem imaginá!
Ainda por cima vem saturar um mercado por si só já saturado... O da fruta, não o da fruta (fruta).

A mim é que não me enganam... Para quem anda distraído, o sinónimo de fruta - ou que lhe quiseram imputar - é meretriz. Vá, acompanhante (ou entertainer) de senhores do apito...

E foi por esta "confusão" de palavras que o presidente do FC Porto foi envolvido no caso "Apito Dourado" para o qual obteve a absolvição esta semana.
Só uma pessoa ingénua acreditaria que alguém seria condenado por oferecer fruta a outra pessoa - mal estariam os agricultores e merceeiros...

E a absolvição transporta-me de imediato para determinados autarcas envolvidos em casos de corrupção e favorecimentos que se safaram - de uma forma ou de outra, por falta de provas ou por simples pena suspensa - ou ainda estão em julgamento, pagando as despesas com dinheiros públicos.
Neste último quadro enquadra-se Isaltino Morais, que anda a bater todos os recordes de rídiculo, pavoneando-se enquanto vai confessando fugas ao fisco com a justificação de não saber que o estava a fazer, acrescentando que se limitava a fazer o que todos faziam...
Assinando documentos de uma propriedade em Cabo Verde que reverteria para si ainda que não o «soubesse». Mesmo sendo verdade, só mostra que assina sem saber o que está a assinar, o que é tão grave como ter consciência do que está a assinar...

Enquanto escrevo esta parte do texto só me vêm à cabeça os meus (na altura) adorados Iron Maiden com o seu "Only The Good Die Young"...

O triste disto é que, comece um assunto como comece, vai sempre desaguar - se se estiver para aí virado - para a porcaria habitual.
E mais triste ainda é quando na realidade estas pessoas que desfilam nesta feira de vaidades só ocupam os cargos que ocupam porque somo nós - localmente - que os elegemos.

Dê por onde der, por mais textos verdadeiros, sentidos, duros, ríspidos, irónicos, sarcásticos, indignados, que coloquem o(s) dedo(s) na(s) ferida(s) que se escrevam, a verdade é que os culpados desta situação toda somos todos nós. Se estamos nesta situação, grande parte da culpa é nossa.

Citando a Pronúncia, quando é que o povo português vai abrir os olhos e pensar que está na hora de fazer alguma coisa?

Fiquem desde já de sobreaviso, mais tarde ou mais cedo vamos agir. A minha geração e a geração seguinte vamos passar um mau bocado mas vamos dar a volta por cima e saberemos como lidar com bullies como vocês.
Não com violência mas com muito cérebro, coração e com a capacidade para sermos exigentes, e darmos um chuto nos compadrios e na mediocridade, ao contrário do que vocês andaram a fazer ao longo destes tempos..
Pelo menos faço por acreditar nisso.

O vosso tempo está a acabar, por isso aproveitem agora - e se é para rebentar com o país, façam-no já - porque a festa mais cedo ou mais tarde acaba-se. Riam agora que depois...

10 comentários:

Gingerbread Girl disse...

Ui... que discurso apaixonado! :|

clap clap clap... e clap clap clap.


BTW... se eu vivesse perto da tal discoteca, entrava e saía uma datas de vezes durante a noite... a €5 por entrada... fazia uma fortuna. :p

*

Pronúncia disse...

Bem, estou sem palavras, a não ser para agradecer o facto de te teres lembrado do que eu escrevi para ilustrares uma parte do texto!

Sim, tu tens razão. Isto já bateu no fundo há muito tempo, só que a falta de vergonha e de dignidade dos nossos (des)governates é tanta, mas tanta que continuam é a descer à custa de tanto escavarem... pode ser que um dia, se todos quisermos, ainda se enterrem na vala que estão a abrir!

Mas, só nós é que podemos dar-lhes o fim que merecem, mais ninguém. E não falo de revoluções, nem de violências gratuitas. Eu começava já era pelas eleições, só este ano são três, ou com um voto em massa BRANCO, ou então com um BOICOTE geral.

Diz lá que não era lindo de se ver?!
(Lá estou eu a sonhar alto!) :)

Treze disse...

Pronúncia,

Eu só não sei é como seria?

Hipoteticamente falando, o que aconteceria se tal acontecesse? Vou investigar isso...

Treze disse...

Ginger,

sempre que posso :)

É por certo um dos motivos pelo qual vou deixar de escrever (tanto) acerca disto e também me vou acalmar no que toca a posts. Acho que estou a ficar viciado... :) E quem sabe, escrever sobre coisas mais positivas. Em vez de comentar e criticar tudo quanto é negativo, talvez comece a dar ênfase ao de bom que temos (Vá, e continuar a gozar com determinadas coisas)...

Ó p'ra mim a sonhar (também) :)

Treze disse...

Ginger,

mas eles reconheciam-te... Só se mudasses o penteado de cada vez que fosses entrar e levasses contigo uma ínfima muda de roupa (thinking...).

Dark Moon disse...

Pena que moro long4, se não era so entrar, caracterizar e voltar a entrar, lol

Beijinho

João Cacelas disse...

Ora aqui estamos com mais um caso de alguém que sai do outro lado do Oceano com a ilusão de uma vida melhor e quando cá chega é posta nos meandros da prostituição.
Quanto ao teu "grito de revolta", se for para ir a São Bento chamar nomes feios ao Sócrates, conta comigo. Não, agora a sério: de facto alguém tem que fazer alguma coisa por este país e esse alguém somos nós, os jovens. Não sei quantos anos tens (eu tenho 21) mas suponho que sejas pouco mais velho que eu e somos nós os do grupo dos 20 e poucos aos 30 e poucos quem tem que fazer alguma coisa por este país porque senão...
Mas infelizmente ainda há muito pessoal jovem (senão a maioria) com pouca consciência disso, que é adepto do deixa andar...

Treze disse...

É nisso que admiro os americanos. Podem só olhar para o umbigo deles e geograficamente só saberem onde fica o Canadá e o México, mas quando é para se unirem, são sem dúvida, uma enorme nação...

E tens razão, somos muito adeptos do deixa andar... A verdade é que não há a quem recorrer.

E a geração da adolescência vai ter noção disto mais tarde e não saberão em que campo se encontram e que, na minha opinião, é uma geração, embora mais desenrascada, mais desenraizada também, sem qualquer preocupação (mas posso -e espero - estar enganado).

Creio que a nossa geração é a que se encontra numa posição mais capaz de alterar as coisas. Ainda que a médio/longo prazo...

João Cacelas disse...

Não creio que esteja enganado, infelizmente...esta geração que agora tem 13 a 17 anos é muito egoísta e individualista, são muito virados para ele próprios e pouco preocupados com o que se passa à sua volta e isso preocupa-me imenso.
A nossa geração é que tem que fazer algo por isso mas vai demorar muito... eu quero sair deste país para poder trabalhar fora (não tanto para enriquecer) mas para absorver outras culturas e enriquecer enquanto pessoa mas quero cá voltar catano e quero viver num país decente e não nesta corja que se vê...

Treze disse...

Eu já não tenho essa "sorte". Há pequenos detalhes que me impedem de sair. Pelo menos com o à vontade de um qualquer...

Mas sim, mais que não seja para adquirires outras mentalidades. Sei, por uma entrevista que vi o ano passado a 7 espanhóis de diferentes quadrantes profissionais, que Espanha é um país altamente empreendedor.

Agora esta treta da crise é que é mesmo uma porcaria... Toda a gente desconfia.

Enfim, com tempo se farão as coisas. E eu acredito nesta geração. Resta ver no que vai dar...