Vamos lá falar da Europa... (continuação)

Como estava a dizer no post anterior, pergunto-me para que servem estas eleições europeias? Como o João disse, estaremos (ou não) a votar para enviar alguém que nos - nós, cidadãos - represente no parlamento europeu. Ou seja, que será a nossa voz.
Terão sessões regulares, em que debaterão assuntos, medidas, ideias. E decidirão - terão tanto poder quanto os ministros de cada país - sobre a UE e no caminho a seguir.
Basicamente será como num parlamento qualquer. Mas com maior número de deputados, de diferentes países.

Mas a minha grande questão é:
Como farão da nossa voz, das nossas ideias e vontades algo concreto?
Como decidirão o que levar a discussão?
Qual será a linha orientadora durante os debates?
E quem decide a posição de cada país a manter?

Será por maioria de voto parlamentar nacional? E será portanto representativo de todo um povo, pois os elegeram para "tratarem" dos nossos interesses?
É que se cá já temos uma pequena "ditadura" à conta da maioria (não está em causa o partido mas sim a maioria) como faremos prevalecer as nossas vontades? É porque se for desta forma não teremos voz.

Segundo os propostos no Tratado de Lisboa - que procura ser implementado - teremos.
Mas ao ler o Tratado de Lisboa ("Tratado de Lisboa para Todos") é isto que me salta imediatamente à vista após a primeira página com o Sócas:

«Primeiro as Pessoas

VALORES E DIREITOS

A União Europeia é muito mais do que um acordo comercial ou um mercado único. O Tratado de Lisboa não poderia deixar de colocar os cidadãos no centro do projecto europeu, pelo que:

- Consagra os valores do respeito pela dignidade humana, da liberdade, democracia, igualdade...».

E foi aqui que me detive precisamente pelo que estou a questionar.

"Consagra os valores (...) da liberdade, democracia...".
Se assim é porque não fomos sequer consultados para saber se queriamos ou não ractificar o Tratado? Porque não fomos tidos nem achados nesta questão? Porque não nos consagraram com os valores da liberdade e da democracia?

Porque era composto por matéria indecifrável ou confusa para o cidadão comum, o vulgo leigo, justificaram...
E aí apareceu o primeiro grande sinal que não defendem os tais valores de liberdade.
Além de, na minha opinião, nos considerarem um rebanho acéfalo. Não digo que eu o conseguiria entender. Talvez conseguisse, talvez não conseguisse. Mas só o facto de nos exluirem dessa decisão mostrou a "força" nossa voz...

Podemos sempre confiar nos nossos governantes. O pior é que me pedem com isto que confie na turma composta por elementos como Sócrates, Berlusconi, Sarkozy, Durão Barroso (agora José Barroso) e por aí fora...

Ou as ideias para os debates serão o reflexo da vontade colectiva expressa através de voto ou referendo?

Se assim for, menos mau...
Mas quem proporá as ideias para irem a debate? Nós, pessoas, cidadãos? Ou uma vez mais o Executivo? Ou alguma comissão europeia?

Espero sinceramente, como transmitem no site do Parlamento Europeu, que tenhamos efectivamente voz.

Finalizo mostrando como esta gente pensa.
Aquando da não ractificação por parte dos irlandeses, muitos especialistas e entendidos na matéria e ministros e comissários (e tantos outros) vieram a terreiro apontar o dedo aos ingratos que "apunhalaram" com o referendo chumbado quem os ajudou (monetariamente) e lhes deu condições para progredirem como país.
Isto pode dizer muita coisa do povo irlandês mas diz muito mais acerca das pessoas com quem lidamos. Pessoas que só "ajudam" na esperança de mais tarde serem retribuídos sem serem questionadas...

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