Indignação


Porque é que o ser-humano se indigna?

O ser-humano é, basicamente, impulsivo.
Vai à luta como esta se lhe apresenta. Ataca por todos os lados, para todos os lados.
É um super-herói. É o maior.

É capaz de tudo, ir mais longe, alcançar o inalcansável, lutar até ao fim das suas forças.
É forte. Resistente. Imparável.
É lança. É escudo.

É sabedor. É defensor e idealista.
Não conhece nada mais que a sua verdade e dessa verdade dá o passo em frente sem olhar a consequências. Sem olhar à sua própria condição.

O ser-humano – indignado – é, por excelência, o ideal dos ideais. Um lutador nato. O lutador dos lutadores. O derradeiro.

O ser-humano – indignado – é o ser perfeito, que tudo sabe, que tudo consegue, até que...
Se esquece.

Onde está a Somália? A Etiópia? E o Zimbabwe? O Tibete? O Ruanda?
Onde está o... Darfur?

Heróis são os que estão lá. São os que dão a cara, o corpo e a alma independentemente das pressões, das ameaças à sua integridade, da privação do mundo desenvolvido e material.
Que dão a vida. Que vivem os dramas quando não nasceram lá e nem sequer têm raizes, nem qualquer ligação ou razão aparente para lá estar.
Que deixam familia e amigos para trás sem para trás olharem.
Que sofrem o sofrimento atroz desses mundos totalmente desconhecidos.
Que se indignam e não calam. Que lutam por outrém sem nada pedirem em troca.
Essencialmente, são os que agem!

Esses são os heróis.

O ser-humano indigna-se porque sim! Por instinto.

Pergunto-me tantas vezes como consegue alguém reportar, apontar o dedo, quando 1 mês depois, uma semana depois, um dia depois parte noutra direcção... Já esqueceu. Já passou o pano por cima.

Onde andam as baleias-piloto? Ainda alguém se lembra delas?
A atrocidade, o horror, a vergonha, a deficiência!

Será assim tão diferente o que se passou nas Ilhas Faroé e o que se passa num matadouro qualquer?
Sim. No matadouro não vemos (mas sabemos e bem) o que se passa lá dentro. Não assistimos em directo e a cores àquele espectáculo de horrores.
Nas Ilhas Faroé vimos tudo à vista desarmada e indignámo-nos. A vergonha!

E porquê?
Por isso mesmo, porque ali foi a bizarria ao vivo.

Longe da vista, longe do coração”? Pois...

"Enojarmo-nos" pelos acontecimentos horrorosos, vergonhosos, actos bárbaros e desumanos e "vermos" como aceitável e defensável os actos nos matadouros simplesmente porque temos que nos alimentar...

Hipocrisia?
Não. É o ser-humano.

Então porque se indigna o ser-humano? Aliás, para quê?
Não sei.

9 comentários:

Gingerbread Girl disse...

Belíssimo post... tens de ir "escrevendo" mais vezes... ;)

Mas tu próprio respondeste à tua pergunta em cada linha... porque é que o ser humano é assim?... porque é humano. =) Simplesmente humano e nada mais que isso.


Um abraço*

Moyle disse...

ao contrário do que pensavam os iluministas o Homem não é naturalmente bom e corrompido pela sociedade. a sociedade só é má porque humana.

o Homem é egoísta e naturalmente destrutivo e, quando muito, têm sido as exigências da vida em sociedade a reabilitá-lo em certa medida.

João Cacelas disse...

É a natureza humana...

johnny disse...

Ao ler isto (ou terá sido depois de ouvir na rádio que me lembrei do post?), lembrei-me disto:

http://www.youtube.com/watch?v=K9K86B4v3g8

Que é o Movimento Perpétuo Associativo, dos Deolinda.

"Agora sim, agora não... vão sem mim que eu vu lá ter"

Treze disse...

Ginger,

Nem sempre é possivel. Muitas vezes só à lei da bala!

Não esperava tal comentário... :)

Treze disse...

Moyle,

de certa forma concordo com os Iluministas. Em teoria, acredito que o Homem podia, sim, fazer disto tudo algo muito melhor. Infelizmente sou daqueles que só vê para crer e o que vejo é precisamente o oposto, que tudo faz para lixar tudo o que está ao seu alcance...

Treze disse...

João,

infelizmente...

Treze disse...

Johnny,

desconhecia o grupo (shame on me!) e ainda mais a música. Fartei-me de rir. Está muito boa! :D

Dark Moon disse...

Homem, o homem...
Somos nós...
Are we human or are we dancers?

Beijinhos,
Dark Moon